LIDANDO COM O SOFRIMENTO
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Tema: Lidando com o Sofrimento
Texto Base: Salmo 88 (1 Cr 6.33)

Senhor, porque rejeitas a minha alma? Por que escondes de mim a tua face?
(Salmos 88:14)

Introdução

Quem é que aprecia sofrer? Ninguém gosta de sofrer, mas nem por isso podemos pensar que passaremos por essa vida sem provar dos sofrimentos que são inerentes a ela, a vida não é perfeita como as estórias de conto de fadas. A vida real é cheia de sofrimento, uns mais, outros menos, mas ninguém passa por essa vida sem sofrer.

O salmo 88 é sobre um homem que está em profundo sofrimento, não encontramos um final feliz, termina em trevas, contudo grandes lições podemos extrair desse texto ante as adversidades dos dias atuais, dos quais tem perturbado o mundo e causado bastante pavor, mas podemos também encontrar uma mensagem de esperança.

Hemã era um homem temente a Deus (1 Cr 6.33), ainda sim estava passando por um profundo sofrimento, não sabemos ao certo qual o motivo, a causa, e claro, por não saber qual a razão desse sofrimento, é que podemos nos identificar com ele em algum momento. Aqui se trata de um salmo didático, que foi introduzido na liturgia como um cântico dos filhos de Corá e devia ser cantado ao som da citara, e cuja proposta era ensinar. Faço 6 observações nesse texto.

1. Em primeiro lugar, a súplica para que Deus o escute (1-2)

Nos dois primeiros versos encontramos uma suplica a Deus, um clamor para que Deus o escute, e é muito importante a declaração dele no início porque ele fala ao Deus de sua salvação. O clamor de Hemã aqui é para que Deus o escute, era o que ele mais queria nesse momento, ser escutado por Deus. No saltério encontramos vários clamores como de Davi 22.2, e quando olhamos para Lc 18.7-8 – aqui revela que Deus é sensível a estes clamores incessantes, mesmo que pareça indiferente aos nossos olhos.

Nos momentos de aflição e angústia é o que mais fazemos, e eu diria: “é o que podemos fazer”. Isso faz parte do reconhecimento de que o Senhor não só tem o controle sobre tudo, como ele pode sim resolver qualquer problema se isso for a sua vontade.

A lição que fica aqui nessa primeira parte é que devemos suplicar ao Senhor sempre, mesmo que pareça que nossas orações não estão sendo respondidas.

2. Em segundo lugar, a descrição do seu sofrimento (3-5)

Nos versos 3-5 Hemã faz uma descrição do seu sofrimento (aqui o motivo da súplica); ele fala de uma forma como se ele estivesse à beira da morte, como alguém na beira de um abismo que está apenas a um passo de cair nele, e isso expressa justamente o que ele estava sentindo, era um sofrimento profundo, como disse no início, não sabemos a causa desse sofrimento, isso não está especificado, e por causa disso podemos nos identificar com ele.

Podemos destacar pelo menos três características do sofrimento desse homem: Em primeiro lugar a sua alma estava cheia de angústia, esse homem estava angustiado, havia nele uma inquietação profunda. Em segundo lugar ele diz que sua vida estava próxima da morte e em terceiro lugar ele se declara como um homem sem forças. E aqui ele faz uma alusão de um soldado ferido em guerra do qual não tem chance de sobreviver e é jogado entre os cadáveres onde esperava a hora da morte, assim este homem estava se sentindo. Imagine a cena de um soldado esperando morrer e enquanto não morre o que ele vê em sua volta são vários colegas que já morreram, de fato o que esse homem estava sentindo era um sofrimento extremamente profundo.

Reparem que Hemã está relatando o seu sofrimento para DEUS, Ele está expondo para Aquele de quem depende a sua vida.

3. Em terceiro lugar, Hemã diz que é Deus quem está fazendo com que ele esteja passando pelo sofrimento (6-8)

Talvez você esteja pensando, ele não está acusando a Deus? Sim, na verdade o que ele está fazendo aqui é reconhecer que todo sofrimento vem de Deus, e por vim de Deus só Ele podia livrá-lo daquela angústia. Na perspectiva judaica, isso era muito comum, óbvio e claro que bem ou mal era Deus quem permitia. Hoje e principalmente em nossa cultura contaminada pelo hedonismo, é difícil pensar dessa forma, mas era isso que estava acontecendo aqui. Mesmo diante dessa percepção, ele sabia que Deus tinha o controle de tudo, ele reconhece que tudo vem da parte de Deus, e que nada acontece sem que Ele permita. Aqui vemos a declaração de alguém limitado ante ao Deus que pode todas as coisas.

A maioria das pessoas gostam de fazer uma separação sobre o que vem de Deus e o que vem do diabo, e aquilo que é bom ou está acontecendo de bom é de Deus, mas quando as coisas parecem não está indo muito bem, foi o diabo, precisamos entender que o sofrimento muitas vezes vem de Deus sim, e também que mesmo no sofrimento o Senhor está nos ensinando alguma coisa, embora para nós as coisas pareçam não fazer sentido, e os porquês façam parte de nossa rotina, precisamos buscar o entendimento do Senhor para que possamos aprender com as dificuldades, por mais trágicas que elas venham ser. O entendimento de Hemã, que era o pensamento Judaico da época, é que a mesma mão que causa é a mesma que poderia livrar do sofrimento.

Existe sempre um propósito maior quando passamos pelo sofrimento. Vejam o que Deus reponde para Paulo em 2 Coríntios 12.1-10. Por três vezes ele clama ao Senhor para livrá-lo do espinho na carne que lhe causava sofrimento, contudo a resposta do Senhor foi não, a graça de Cristo bastava, e o poder de Deus era aperfeiçoado nele na fraqueza. O próprio Jesus no Getsêmani esteve em profundo sofrimento minutos antes de caminhar para crucificação, mas Ele mesmo declarou: Contudo que “seja feita a TUA VONTADE”.

Precisamos entender que existe sempre um propósito maior com o sofrimento, “No mundo, passais por aflições” (Jo 16.33). Porém, para o cristão, as tribulações trabalham em seu favor, não contra ele. Não há sofrimento que nos separe de Deus (Rm 8.35-39); antes, as provações nos aproximam do Senhor e nos tornam mais semelhantes a ele. O sofrimento constrói o caráter cristão. O termo experiência, em Romanos 5.4, significa o caráter que foi provado. A sequência é: tribulação – paciência – caráter provado – esperança.

O termo tribulação, vem do latim tribulum. Na época do apóstolo Paulo, isso era um pedaço pesado de madeira com cravos de metal usado para derrubar cereais. Ao ser arrastado sobre os cereais, ele separava o grão da palha. Ao passarmos por tribulações e dependermos da graça de Deus, as dificuldades nos purificam e nos ajudam a eliminar a palha.

4. Em quarto lugar, Hemã insiste na oração e suplica a Deus. (9)

Aqui Hemã volta a clamar assim como ele fez no início da oração, e mais uma vez ele reconhece o Senhorio do Deus todo poderoso.

Podemos tirar uma grande lição aqui: a aflição deve nos aproximar ainda mais de Deus assim como fez com Hemã. Enquanto as coisas estão bem, parece que não há motivo para orar, o céu chegou aqui e a pessoa na sua ignorância afasta Deus dos seus negócios, de tudo que diz respeito a “sua” vida. Muitas vezes pessoas que passam por grandes sofrimentos, perca de alguém querido, rejeitam a Deus porque não aceitam, mas esse não é o propósito, vejam o que disse Jó depois que perdeu tudo até seus filhos, Deus deu, Deus tomou, louvado seja o nome do Senhor. Augustus Nicodemos disse uma vez uma frase interessante que tenho cravada em minha mente: “O sofrimento nos faz lembrar que o céu não é aqui”, de fato, precisamos nos lembrar disso, e que devemos ser completamente dependentes de Deus.

Hemã demonstra submissão. A submissão é necessária para que a disciplina tenha efeito, assim como nos submetemos ao pai terreno, devemos muito mais ao pai celestial. Porque a disciplina é educativa, é pedagógica. O propósito dele com o sofrimento na sua vida é sem dúvidas, no final produzir fruto pacífico.

5. Em quinto lugar, Hemã faz uma descrição do valor de sua morte para Deus (10-12)

Os mortos podem fazer alguma coisa? Ele vai descrevendo um por um, vejam o que diz o texto nos versos 10-12.

Ele termina essa série de perguntas, como um desabafo para Deus da seguinte forma: o que o Senhor estaria ganhando com a sua morte, já que seria um a menos para louvar e engrandecê-lo nessa terra, menos um que iria anunciar a sua palavra; o que o Senhor ganharia com ele na terra do esquecimento? Ou seja, sepultura, o cemitério. E o cemitério é esse lugar do esquecimento. O que Hemã faz aqui é uma descrição de sua morte numa perspectiva meramente humana para Deus.

Podemos extrair uma lição importante, será que poderíamos dizer assim como Hemã está dizendo para Deus? Porque ele descreve aqui justamente o que ele fazia, e era útil na adoração a Deus, ele era exemplo, ele era zeloso e por isso ele diz isso, e você pode dizer isso a Deus? Ou não fará diferença nenhuma caso sua vida cesse hoje? Vejam como é importante refletir sobre isso a luz do sofrimento, porque o que vemos na continuação do texto é um homem que apesar de toda angústia, ele continua buscando a Deus.

6. Em sexto lugar, Hemã Insiste na oração, assim como iniciou (13-18)

O sofrimento transformou Hemã em um homem de oração. As vezes muitos se afastam porque perderam um filho, um marido, uma esposa, porque tem uma doença degenerativa, porque perdeu o emprego etc. Mas esse salmo está na bíblia justamente para nos mostrar que o sofrimento pode nos aproximar de Deus. É comum encontrar muitas pessoas que passaram ou que passam por muitos sofrimentos, que relatam encontrar o alívio em Cristo.

A oração de Hemã termina relatando o que mais o angustiava, no v.14. Era o silêncio de Deus. O que mais angustiava era que a sua oração parecia que não estava sendo ouvida por Deus. Veja a declaração que ele faz, ele disse que o seu sofrimento era desde a mocidade, e que estava completamente desorientado, já se declara acabado, sozinho, esse era o seu sentimento. Contudo, em nenhum momento ele desiste de buscar a Deus.

Talvez alguém pergunte: “o que esse homem fez para estar sofrendo tanto assim?” Nada, não existe aqui um pecado explícito, ele não declara isso, e nem sempre o sofrimento é causado por uma consequência do pecado, diferente do Salmo 52 quando Davi fala que estava sofrendo tanto que seus ossos envelheceram, e aqui precisamos entender que não é que ele estivesse doente dos ossos, mas era como ele se sentia, no caso de Hemã também deve ser interpretado dessa maneira, era assim que ele se sentia.

Quando olhamos para esse texto, da angústia de Hemã em sentir que o Senhor estava ausente, o que vemos é o retrato do sofrimento de Cristo. Jesus no Getsêmani estava em um sofrimento profundo a ponto de clamar a Deus para passar dele aquele cálice, na cruz quando os nossos pecados foram lançados sobre Cristo, pela primeira vez ele sentiu a ausência do pai ao clamar: E às três horas, Jesus clamou em alta voz: — Eloí, Eloí, lemá sabactani? — Isso quer dizer: “Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?” Marcos 15.34

Nada se compara ao sofrimento de Cristo, antes mesmo da crucificação ele disse, para tenhamos paz, nesse mundo passaremos por aflições, mas que tenhamos coragem porque ele venceu o mundo.

Pior que qualquer sofrimento, e afirmo ser o maior dos sofrimentos, é sentir a ausência do Senhor em nossas vidas, pois se não fosse o Senhor, a quem poderíamos recorrer?

Conclusão

Como lidar com o sofrimento?

Assim como Hemã, precisamos continuar buscando a Deus em todo tempo e todo momento, na angústia precisamos entender que somos mais um filho amado de Deus do que abandonado por Ele e que esses períodos de tristeza e sofrimento podem durar a vida toda ou por um breve tempo, contudo devemos continuar sempre buscando ao Senhor.

Não devemos parar de orar jamais, mesmo que Deus pareça demorado em nos responder, precisamos sempre suplicar o seu favor. As história dos profetas, dos apóstolos, a história da igreja, é uma história recheada de sofrimento.

Quão profundo foi o sofrimento de Cristo por nós, nada se compara. Era um homem de dores, no Getsêmani ele clama ao Senhor, parece muito com o sentimento de Hemã. Precisamos lidar com os nossos sofrimentos olhando para Cristo, na certeza de que nada se compara a glória que está prevista aos seus filhos.

Finalmente, os sofrimentos vêm para nos ensinar o quanto precisamos de Deus, o quanto somos frágeis, e quebrar a confiança em nós mesmos. Não tenho dúvidas de que os sofrimentos de hoje, dizem claramente isso, e é assim que devemos lidar com o sofrimento.

Pr. Cleber Campos

Pastor da 4ª Igreja Cristã Evangélica em Teresina PI, atual presidente da Missão PróSERTÃO,  Formado em teologia pelo CMM Nordeste, Teologia pastoral pelo STBT (Seminário Teológico Batista de Teresina), Bacharel em Teologia pela FAEPI (Faculdade Evangélica do Piauí), Conselheiro bíblico pela ABCB, treinado em liderança avançada pelo Instituto Haggai. Mestrando em Liderança Bíblica pela T-Link . Casado com Rivalda Campos, pai de três filhos, Rebeca, Deborah e Eliabe.

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