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OS GNÓSTICOS E O APÓSTOLO JOÃO
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OS GNÓSTICOS E O APÓSTOLO JOÃO

1.    INTRODUÇÃO

Com base em evidências internas encontradas em várias epístolas do Novo Testamento e nas informações oriundas dos pais apostólicos, estudiosos revelam que uma heresia conhecida como gnosticismo perturbou os cristãos nos primeiros séculos da igreja.  Alguns chegam a afirmar que pelo menos oito livros do Novo Testamento foram escritos para preservação do corpo de doutrinas cristãs, em frente aos ataques do protognosticismo. Entre os livros apresentados encontram-se as três cartas de João, as pastorais e a carta de Judas.

Para estudiosos como Roger Olson, John Stott, Augustus Nicodemus Lopes, Radmacher, B. Allen, Wayne House, entre outros, é praticamente certo que o apóstolo João já combatia um gnosticismo embrionário defendido e propagado por muitos falsos mestres nas congregações cristãs do primeiro século. Essa verdade é perfeitamente verificável pelo conteúdo inspirado da primeira carta de João, bem como pelo testemunho de documentos antigos e extra bíblicos. Ao escrever a primeira carta, o apóstolo João tinha o propósito de combater os falsos mestres que assediavam as igrejas que estavam sob seus cuidados, bem como fortalecer os verdadeiros crentes no ensino dos apóstolos.     

Não se sabe ao certo como o gnosticismo surgiu nas comunidades cristãs, porém, sabe-se que os gnósticos foram os maiores inimigos dos crentes primitivos. Eruditos chegam a dizer que a maior ameaça contra a igreja nos primeiros séculos não foi o Império Romano, mas um inimigo “espiritual” conhecido como gnosticismo. Eles consideravam-se cristãos ao mesmo tempo em que proclamavam um evangelho estranho e diferente do ensino apostólico, pois misturavam judaísmo, filosofia grega, conteúdo das religiões de mistérios e fé cristã.  

Conhecer um pouco mais sobre esse assunto é importante não só para uma melhor compreensão de algumas cartas do Novo Testamento, mas também para identificarmos os nocivos tentáculos dessa heresia que continua assediando os cristãos em todo o mundo. Contudo, não se objetiva ser exaustivo sobre o assunto, nem mesmo abordar todas as novas roupas gnósticas usadas no presente. A proposta é apresentar algumas das principais características que identificam esse movimento herético, mostrar alguns argumentos que João levantou contra esses falsos mestres, e por fim, pautar a relevância atual do assunto.

2.     O GNOSTICISMO

2.1 A doutrina     

Os gnósticos não tinham um sistema doutrinário único, pelo contrário, divergiam entre si em relação a muitos pontos. Logo, o termo gnosticismo é compreendido como um rótulo geral que se aplicava a vários mestres e escolas nos primeiros séculos da igreja. Olson, (2009, p.27) afirma: “O gnosticismo é um rótulo genérico aplicado a uma grande variedade de mestres e escolas cristãs que existiam às margens da igreja primitiva […]”.

2.2 O Ser divino e a criação do mundo físico  

A maioria dos gnósticos afirmava a existência de um Ser Supremo e eterno do qual emanara outros seres espirituais conhecidos como éons. A finalidade da existência dos éons era oferecer louvores ao Abismo ou Supremo. Todavia, um éon se distanciou tanto deste Ser, que como consequência cometeu um grave erro, criou o mundo material.

Portanto, pelo fato do mundo físico não proceder da vontade do Supremo mas de um erro, é inevitavelmente considerado mau. Stott, (2011, p.40) observa:                                                                     “[…] Os gnósticos afirmavam que houve uma série de ‘eons’ ou emanações do Supremo, cada qual mais distante dele do que as suas predecessoras, até que uma delas emergiu suficientemente longe para criar o mundo material.” Adiciona-se a isso a fala de González, (2011, p.42):

[…] Esse princípio primeiro, que alguns chamavam de o Abismo, existe desde sempre, e dele surgiram outros seres espirituais que os gnósticos chamavam éons. O propósito dos éons era glorificar o Abismo. Mas um deles, seja por engano ou de propósito, deu origem a este mundo material. […] a realidade material, em razão de proceder de um erro por parte de um éon, é má. […].

Nesse ponto é importante distinguir o pensamento do herege Marcião do que fora exposto acima. Mesmo havendo algumas semelhanças entre suas doutrinas e as dos gnósticos, no entanto, Marcião não concebia a ideia de uma fileira de “éons”. Ele entendia que o Deus revelado no Antigo Testamento era o criador deste mundo físico e mau. Para esse herege, foi esse ser maligno que aprisionou a humanidade no planeta terra.

Acreditava, ainda, que acima de tudo encontrava-se o soberano todo benevolente e Pai de Jesus Cristo, o qual enviou seu filho amado para salvar os perdidos habitantes deste mundo de trevas. Logo, Marcião fazia uma clara distinção entre o deus inferior do Antigo Testamento, e o Deus grandioso e amoroso revelado na face de Cristo Jesus.       

2.3 O espírito do homem

Os gnósticos acreditavam que o espírito do homem era uma partícula do Ser Supremo que se desprendera e que de alguma forma caiu e se aprisionou no corpo. Assim sendo, o espírito é essencialmente divino e bom, pois é parte de “Deus”, enquanto o corpo por ser matéria proveniente de um erro, é totalmente mau. Essa doutrina é conhecida como dualismo, ou seja, a ideia de que o espírito é bom e a matéria má. Olson, (2009, p.37) aborda o assunto com clareza:

[…] Em resumo, acreditavam ser a matéria, incluindo o corpo, uma prisão inerentemente limitante ou até mesmo um obstáculo maligno para a boa alma ou espírito do ser humano e que o espírito, essencialmente divino, uma “centelha de Deus”, habitava o túmulo do corpo. […].

2.4 A salvação e o conhecimento superior

Os mestres gnósticos propagavam que a salvação implicava na libertação do espírito do cárcere corporal e no seu retorno ao Supremo. Entretanto, isso só era possível através de um conhecimento superior que não estava ao alcance de todos, mas pertencia somente aos iniciados no sistema gnóstico. Nicodemus Lopes, (2005, p.12) aborda: “[…] De acordo com o gnosticismo, a salvação consiste em a alma fugir da prisão que é o corpo, e isso se consegue por meio de um conhecimento secreto e especial. […]”.

É possível dizer que o conhecimento superior propagado pelos gnósticos consistia em pelo menos, duas convicções básicas, a saber: (1) admitir que o espírito humano é uma partícula do Ser Supremo que se encontra aprisionada no corpo; (2) Reconhecer Cristo como ser espiritual que fora enviado pelo desconhecido Pai para buscar suas partículas que foram espalhadas e presas em corpos físicos. Os cristãos comuns não tinham esse conhecimento elevado acerca da gnose e de Cristo, mas somente os iniciados no sistema. Ressalta-se que, para os gnósticos o resgate efetuado por Cristo não era do tipo expiatório, substitutivo, como pregavam os apóstolos. Certamente a cristologia apostólica era bem diferente.

2.5 A encarnação de Cristo

Embora os primeiros gnósticos concordassem no que diz respeito ao dualismo grego e a superioridade do conhecimento, no entanto, divergiam entre si quanto a encarnação de Cristo. Os gnósticos não acreditavam na possibilidade de Deus assumir um corpo humano ou físico. Por conseguinte, respondiam de duas formas diferentes ao mistério da encarnação, isto é, enquanto alguns negavam a divindade do Filho de Deus, outros negavam a sua humanidade.

No afã de preservar a não contaminação do espírito pelo corpo, alguns gnósticos ensinavam que o Cristo divino (ser espiritual) apenas simulou uma humanidade, como nas teofanias do Antigo Testamento. Essa visão da pessoa de Jesus ficou conhecida como “docetismo”, palavra grega que significa “parecer”, e aponta para a ideia de que o corpo de Jesus foi apenas aparente e não uma realidade concreta. Essa concepção negava a humanidade de Cristo.

Por outro lado, ainda mantendo a dicotomia entre o material e o espiritual, outros gnósticos propagavam que o Cristo divino teria apenas usado um homem de carne e ossos, chamado de Jesus. O mestre Cerinto, contemporâneo e adversário do apóstolo João foi um defensor vigoroso desse entendimento. Notemos que Cerinto não negava a realidade do corpo do homem Jesus, mas a possibilidade do Cristo divino (um “aeon”) assumir uma natureza humana, ou seja, a união do “aeon” com o homem de Nazaré. A consequência deste raciocínio era a total negação da divindade de Jesus.

2.6 A moralidade

A visão dualista dos gnósticos resultou em uma divisão doutrinária no campo da moralidade. Para alguns era preciso disciplinar o corpo afastando-o de tudo que fosse deste mundo. Negar ao corpo material (que é mau) os prazeres dessa vida era uma maneira de puni-lo, e, portanto, uma forma de agradar a Deus. Por conseguinte, esses gnósticos trilhavam o caminho do ascetismo. Nesse caso, as leis do Antigo Testamento se mostravam bastante proveitosas.   

Diferentemente, por acreditarem que as práticas do corpo não podiam atingir o espírito iluminado, outros gnósticos adotaram uma postura de indiferença quanto a correta conduta moral. Em outras palavras, acreditavam que é perfeitamente possível para o homem ter o espirito regenerado e ao mesmo tempo viver na prática do pecado por meio do corpo. Radmacher, B. Allen, Wayne House, (2010, p.551) comentam: “[…] Para esse tipo de gnóstico, uma vez que o corpo era mau e o espírito era bom, nada que fosse feito pelo corpo poderia prejudicar o espírito. […]”. É contra esta última tendência moral que João se manifesta na sua primeira epístola.

2.7 Os Hílicos, os psíquicos e os pneumáticos

Os falsos mestres gnósticos faziam uma distinção entre os homens ao ponto de elevarem alguns em detrimento de outros. A divisão se deu da seguinte maneira: os hílicos, os psíquicos e os pneumáticos. Enquanto os hílicos e os psíquicos foram inferiorizados, os pneumáticos foram tidos como os verdadeiros espirituais.  Para esses embusteiros, somente os pneumáticos haviam alcançado a plena salvação.  Frans Leonard Schalkwijk, (apud Nicodemus Lopes, 2005, p.21) explica:

[…] Mas há grandes diferenças entre os homens. Basicamente, há três degraus entre eles: há os “hílicos” (hulê), que são puros materialistas e não progrediram em nada; há os “psíquicos” (psychê), que já subiram um degrau; e finalmente, há os “pneumáticos” (pneuma), que alcançaram a salvação.

Vale ainda salientar que os pneumáticos acreditavam que eram “justos”, mesmo vivendo na prática do pecado. Stott, (2011, p.41) alude ao assunto usando as seguintes palavras: “[…] Esses pneumatikoi tinham também a pretensão de que eram dikaioi, “justos”, independentemente da sua conduta.”.

2.8 Ação social

Como consequência da indiferença em relação as coisas materiais, os mestres gnósticos terminavam por desprezar o corpo de uma maneira bem peculiar, resultando em atitudes de desprezo ao sofrimento alheio. João sabia que esta visão dualista levava a uma postura de indiferença para com as necessidades físicas do próximo. O apóstolo rebate esta ideia dizendo: “[…] Ora, aquele que possuir recursos deste mundo, e vir a seu irmão padecer necessidade, e fechar-lhe o seu coração, como pode permanecer nele o amor de Deus? […]” (1 João 3.17).

3.    A RESPOSTA DO APÓSTOLO JOÃO AO GNOSTICISMO

Desse ponto em diante, o objetivo não é refutar todos os falsos ensinos gnósticos mencionados acima, mas apresentar algumas respostas que João levantou contra alguns dos principais pilares dessa heresia perniciosa.

3.1 Resposta ao indiferentismo moral

Como exposto antes, muitos gnósticos que assediavam a igreja primitiva eram indiferentes quanto a moralidade, pois entendiam que a prática do pecado era inofensiva ao espírito humano. Esses falsos mestres aos quais João confrontava, proclamavam um novo nascimento espiritual e a continuação de uma velha vida carnal. Contra essa heresia, o apóstolo declara de forma devastadora a incompatibilidade de uma suposta comunhão com Deus destituída de uma conduta apropriada. Nas palavras do próprio apóstolo:

Ora, a mensagem que, da parte dele, temos ouvido e vos anunciamos é esta: que Deus é luz, e não há nele treva nenhuma.  Se dissermos que mantemos comunhão com ele e andarmos nas trevas, mentimos e não praticamos a verdade.  Se, porém, andarmos na luz, como ele está na luz, mantemos comunhão uns com os outros, e o sangue de Jesus, seu Filho, nos purifica de todo pecado. […] (1 João 1:5-7).

O dualismo dos itinerantes gnósticos entre matéria e espírito chegou a tal ponto que os levou a desconsiderar a realidade do pecado sobre eles. Para esses falsos pregadores nada praticado pelo corpo poderia mesmo atingir o espírito. O apóstolo, portanto, desmascara a mentira de se ter uma nova vida no espírito dissociada de uma nova conduta por meio do corpo. Wiersbe, (2006, p.616) soma ao assunto ao dizer:

[…] Fica claro que, na vida cristã, não se deve apenas “falar”, mas também “andar” ou viver segundo aquilo que se crê. Estando em comunhão com Deus (se “andarmos na luz”), a vida servirá para corroborar o que se diz com os lábios. Mas quem vive em pecado (se “andarmos nas trevas”) tem uma existência que desmente o que diz e que o transforma em hipócrita.

3.2  Resposta ao conhecimento superior (gnose)

Os falsos mestres acreditavam na superioridade do conhecimento que eles tinham a respeito de Cristo. Criam que o conhecimento era o caminho da salvação. Por outro lado, o apóstolo João revela que o verdadeiro conhecimento de Cristo não se manifesta apenas no intelecto, mas também em uma conduta submissa aos mandamentos de Deus. João aborda o assunto da seguinte maneira:

[…] Ora, sabemos que o temos conhecido por isto: se guardamos os seus mandamentos. Aquele que diz: Eu o conheço e não guarda os seus mandamentos é mentiroso, e nele não está a verdade. Aquele, entretanto, que guarda a sua palavra, nele, verdadeiramente, tem sido aperfeiçoado o amor de Deus. Nisto sabemos que estamos nele: aquele que diz que permanece nele, esse deve também andar assim como ele andou. (1 João 2:3-6).

3.3   Resposta à falta de empatia gnóstica

 Como já visto antes, é possível que em consequência ao desprezo do mundo material e do corpo, os gnósticos terminavam por não darem muita importância as necessidades matérias de alguns menos favorecidos. Em contraste, João afirma que o verdadeiro cristianismo também é demonstrado pelo amor fraternal: “Amados, amemo-nos uns aos outros, porque o amor procede de Deus; e todo aquele que ama é nascido de Deus e conhece a Deus. Aquele que não ama não conhece a Deus, pois Deus é amor. […]” (1 João 4: 7-8). J. Kistemaker, (2006, p.284) refere-se incisivamente ao ponto em questão:

Esses enganadores ignoram os mandamentos ao se recusarem a amar seu irmão em Cristo. De fato, João escreve: “Aquele que odeia seu irmão está na escuridão; ele não sabe onde está indo, pois a escuridão o cegou” (2.11). João não tem medo de chamar essas pessoas de “filhos do diabo” (3.10); eles odeiam seu irmão (2.9; 3.15; 4.20) e se recusam a suprir as necessidades desse irmão quando poderiam fazê-lo (3.17).

3.4  Resposta a negação da divindade de Jesus

No capítulo 2, versículos 22 e 23 da primeira carta, João toca no erro fundamental que os gnósticos cometiam acerca da divindade de Jesus, a saber, a separação que faziam entre o Cristo divino e o homem de Nazaré. Nas palavras do próprio apóstolo:

“[…] Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho. Todo aquele que nega o Filho, esse não tem o Pai; aquele que confessa o Filho tem igualmente o Pai. (1 João 2:22-23).

Para melhor compreensão do versículo 22, é importante ressaltar que na primeira metade do II século, um mestre conhecido como Basílides, liderou uma corrente gnóstica que propagou um ensino deturpado a respeito do Filho de Deus. O principal erro de Basílides e seus discípulos foi separar o Cristo divino do homem Jesus, negando assim a sua divindade. Vale lembrar que no primeiro século da era cristã, Cerinto e outros falsos mestres propagaram uma forma incipiente deste mesmo erro o qual João confrontou.

Os anticristos mencionados no texto estavam ensinando que Jesus nasceu de forma natural, viveu e morreu como homem. Esses mestres acreditavam que o mensageiro divino que se apossara do homem Jesus por ocasião do seu batismo seria incapaz de sofrer, por isso, teria abandonando-o na cruz.  Na primeira parte do versículo 22 encontra-se o erro dos opositores do evangelho, isto é, eles separavam o Jesus humano do Cristo divino, negando assim a encarnação, consequentemente a divindade de Jesus. “[…] Quem é o mentiroso, senão aquele que nega que Jesus é o Cristo? […]”. (1 João 2.22). Ao negarem a divindade de Jesus terminavam por negar também o Pai que enviara seu Filho ao mundo. “[…] Este é o anticristo, o que nega o Pai e o Filho. […]”. (1 João 2.22).

3.5  Resposta a negação da humanidade de Jesus

Se por um lado, os ensinos de Cerinto já perturbavam os cristãos no primeiro século com a negação da divindade de Jesus, por outro, o docetismo de Valentino na sua forma embrionária já ameaçava a igreja, pois negava a verdadeira humanidade do Salvador. No prefácio da primeira carta (1. 1-4), João deixa claro que entre outras coisas, ele tinha a intenção de testificar o que ele e os demais apóstolos ouviram e viram a respeito da encarnação de Cristo. Os primeiros versículos evidenciam que o apóstolo pretendia combater ensinos deturpados a respeito da pessoa de Jesus Cristo, entre eles, a negação da sua humanidade.

O que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida (e a vida se manifestou, e nós a temos visto, e dela damos testemunho, e vo-la anunciamos, a vida eterna, a qual estava com o Pai e nos foi manifestada), o que temos visto e ouvido anunciamos também a vós outros, para que vós, igualmente, mantenhais comunhão conosco. Ora, a nossa comunhão é com o Pai e com seu Filho, Jesus Cristo. Estas coisas, pois, vos escrevemos para que a nossa alegria seja completa. (1 João 1. 1-4).

Para João, Jesus Cristo era tanto Deus como verdadeiro homem em uma só pessoa. No texto supra, o apóstolo amado confirma que o Cristo Filho de Deus assumiu um verdadeiro corpo humano e que ele e os demais apóstolos o ouviram, o viram e tocaram nele (1 João 1.1,2). O texto é claro em mostrar que Jesus Cristo entrou na história humana de forma concreta: “e a vida se manifestou”. O Filho de Deus não era uma abstração, um ser metafísico que não tem contato com a realidade física. Jesus era Deus e homem, uma pessoa extraordinária que marcou a história com sua poderosa presença.

Em outro texto, o apóstolo reafirma que Jesus Cristo não era apenas uma aparência, uma teofania conforme os docéticos ensinavam. Segue o que diz a própria Escritura:

[…] Nisto reconheceis o Espírito de Deus: todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus; e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo. […]. (1 João 4. 2-3).

Em 1 João 4.2, o apóstolo amado adverte seus leitores para a seguinte verdade: “[…] todo espírito que confessa que Jesus Cristo veio em carne é de Deus […]”. Fica claro que a confissão da verdadeira humanidade de Jesus Cristo é um ensino que procede daqueles que realmente conhecem a Deus. Por outro lado, a negação da encarnação serve para revelar o espírito do anticristo que já operava por trás dos falsos profetas: “[…] e todo espírito que não confessa a Jesus não procede de Deus; pelo contrário, este é o espírito do anticristo, a respeito do qual tendes ouvido que vem e, presentemente, já está no mundo. […]” (1 João 4.3).

Reconhecendo a preciosidade dos versículos mencionados acima, Grudem, (2010, p.444-445) diz: “[…] O apóstolo João entendia que negar a verdadeira humanidade de Jesus era negar um fato bem central do cristianismo, de modo que ninguém que negasse que Jesus veio em carne era enviado por Deus. […]”. A verdadeira humanidade do Redentor é uma doutrina bíblica que a igreja vem defendendo no decorrer dos séculos.

4.    RELEVÂNCIA ATUAL

 Certamente a igreja obteve grande vitória sobre o gnosticismo. Contudo, embora não exatamente como antes, é inegável que muitos dos seus ensinos continuam perturbando a comunidade evangélica em todo o mundo. Mencionaremos algumas manifestações que apontam para algum tipo de gnosticismo atual. Por exemplo, quando a conduta diária não se harmoniza com a Lei de Deus, estamos diante do indiferentismo moral, isto é, diante de pessoas que professam um novo nascimento, sem no entanto, darem sinais de progresso na santificação. Essa é uma atitude claramente gnóstica, pois entende que é perfeitamente possível um novo nascimento espiritual sem que isso implique em mudanças comportamentais.

Expressando com outras palavras o que fora supracitado, para alguns, a salvação é para a alma, jamais para o corpo físico. Todavia, o cristianismo bíblico valoriza a matéria (incluindo o corpo) como parte da criação e da redenção de Deus. Logo, aqueles que insistem em professar a fé cristã e ao mesmo tempo vivem como mundanos, agem em pleno acordo com o dualismo gnóstico. Considerando que o ser humano é uma unidade psicossomática, concluímos que o Espírito Santo transforma não somente o espírito humano, mas também o comportamento físico. “Rogo-vos, pois, irmãos, pelas misericórdias de Deus, que apresenteis o vosso corpo por sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o vosso culto racional.”. (Romanos 12.1).

Outro ponto de destaque é o seguinte: a exemplo dos gnósticos que assediavam os crentes primitivos negando a divindade de Jesus, nos últimos 200 anos os liberais tem perturbado a igreja com essa mesma heresia. Assim como os infiéis se infiltraram na comunidade cristã primitiva e tentaram persuadir os fiéis a acreditar em um Cristo meramente humano, os liberais tem usado os seminários, livros e os púlpitos das igrejas para anunciar que Jesus foi apenas um homem notável, um referencial no campo da moralidade. Porém, rejeitar a divindade de Cristo é comprometer a própria salvação, visto que a mesma só poderia ser concretizada por alguém que fosse plenamente humano e divino ao mesmo tempo. “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai.”. (João 1.14).

Quando o assunto é o conhecimento (gnosis), não é incomum encontrarmos entre muitos evangélicos e denominações uma supervalorização das experiências em detrimento da revelação especial, a saber, a Bíblia. Assim como os primeiros gnósticos deturpavam as Escrituras Sagradas afirmando possuir um conhecimento superior e uma intuição esotérica que só estava disponível aos iniciados no sistema religioso que professavam, muitos na atualidade fundamentam a fé nas experiências com o mundo suprassensível em detrimento das verdades objetivas reveladas nas páginas da Bíblia.

Lamentavelmente muitos líderes neopentecostais tem afirmado que no fundo o que importa não é a doutrina, mas a experiência. Em contraste, Paulo afirma que a Escritura é útil para o ensino (2 Timóteo 3.16). A palavra ensino, vem do grego, didaskalia, que significa, doutrina, ou seja, a Bíblia é a fonte das doutrinas corretas. Em Atos 2.42 é dito que os discípulos perseveraram na doutrina dos apóstolos. Portanto, temos a seguinte certeza: “Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção e para a instrução na justiça, para que o homem de Deus seja apto e plenamente preparado para toda boa obra.”. (2 Timóteo 3.16-17).

Ressalta-se ainda que, a exemplo dos gnósticos antigos e atuais, não é de se admirar que existam aqueles que acreditam pertencer a uma “casta superior” no meio do povo de Deus. Entre eles encontramos os “superapóstolos” e os demais que acreditam terem ascendido a uma posição privilegiada na espiritualidade por meio de experiências místicas.  Tristemente esses falsos mestres tem enganado muitos indoutos e incautos. Por outro lado, enquanto a velha heresia gnóstica continua perseguindo os discípulos de Cristo, as Escrituras Sagradas prosseguem exortando os cristãos para que avancem batalhando, diligentemente, pela fé (corpo de doutrinas cristãs) que uma vez por todas foi entregue aos santos (Judas 3).

Por fim, uma pergunta para uma sincera reflexão: qual a melhor opção, seguirmos as experiências e orientações subjetivas, místicas e herméticas de homens com seus posicionamentos corrompidos que mudam com o passar do tempo, ou nos mantermos firmes e fundamentados na Bíblia, que como um todo, tem mais de 3.200 anos de credibilidade, cujo os ensinamentos tem sido repassados pelos nossos avós, pais, pastores e homens piedosos? Em que base estamos fundamentando nossas crenças e valores? “A lei do Senhor é perfeita, e revigora a alma. Os testemunhos do Senhor são dignos de confiança, e tornam sábios os inexperientes.”. (Salmos 19.7).

5.    CONCLUSÃO

De uma maneira ou de outra, o povo de Deus sempre foi perseguido. O salmista revela o sofrimento de Israel desde sua concepção como nação: “Muitas vezes me angustiaram desde a minha mocidade, Israel que o diga.”. (Salmos 129.1). Ao contrário do que alguns pensam, o Novo Testamento revela que a igreja cristã já nasce em meio aos mais diversos desafios, os quais deveria enfrentar para sua própria sobrevivência. Como já foi dito, é provável que o gnosticismo tenha sido o maior desafio da igreja primitiva. Infelizmente essa heresia antiga continua perturbando os cristãos.

A pós modernidade tem se caracterizado, entre outras coisas, pelo pluralismo religioso e pelo relativismo. A presente época é de incertezas e inseguranças. Presencia-se um mundo que está em constante mudança, onde nada é estável. Não há como negar o espantoso número de religiões espalhadas pelo mundo, o crescente número de novas igrejas, a mercantilização da fé, o número cada vez menor de pessoas comprometidas com as verdades bíblicas, a ascensão de líderes corruptos que deturpam as Escrituras em benefício próprio e uma intolerância radical contra todos que professam verdades absolutas.

Por outro lado, na sua primeira carta, João deixa claro que o povo de Deus não pode se fundamentar nas especulações, na pluralidade e no relativismo oriundos de homens perversos que deturpam as Escrituras para a própria condenação. O apóstolo posiciona-se com firmeza em defesa da fé genuína. Outrossim, a comunidade evangélica atual não precisa de modismos, dos autodenominados “apóstolos”, de novas revelações, de práticas esotéricas, de um conhecimento superior, de templos suntuosos ou de inovações na liturgia do culto. A maior necessidade da cristandade é voltar-se urgentemente para as verdades bíblicas e proclamá-las com ousadia e destemor.

Enquanto o mundo prossegue sob a influência de várias heresias gnósticas, do pluralismo, do relativismo e das incertezas, a primeira carta do apóstolo João nos leva para um cenário de doutrinas verdadeiras e firmes. São ensinamentos que não mudam com o passar do tempo, que se aplicam em todos os lugares e culturas, portanto, não podem ser negociadas, pois são verdades absolutas de Deus. Assim sendo, as Escrituras Sagradas são um porto seguro no mar agitado das incertezas e inseguranças da contemporaneidade. Mesmo que tudo esteja em constante mudanças, nossa segurança encontra-se nas palavras do profeta que diz: “Seca-se a erva, e cai a sua flor, mas a palavra de nosso Deus permanece eternamente.”. (Is 40.8). Glória somente a Deus!

REFERÊNCIAS

GONZÁLEZ, Justo L. Retorno à história do pensamento cristão. São Paulo: Hagnos, 2011.

KELLY, J.N.D. Patrística: origem e desenvolvimento das doutrinas centrais da fé cristã. São Paulo: Vida Nova, 2009.

OLSON, Roger E. História da teologia cristã: 2 000 anos de tradição e reformas. São Paulo: Editora Vida, 2009.

PIPER, John. Finalmente Vivos: O que acontece quando nascemos de novo? São José dos Campos, SP: Editora Fiel, 2011.

WIERSBE, Warren W. Comentário Bíblico Expositivo: Novo Testamento: volume II. Santo André, SP: Geográfica editora, 2006.

PEARLMAN, Myer. Conhecendo as Doutrinas da Bíblia. Belo Horizonte, MG: Editora Vida, 1996.

RADMACHER, Earl D; ALLEN, Ronald B; HOUSE, H. Wayne. O Novo Comentário Bíblico – Novo Testamento. Rio de Janeiro: Editora Central Gospel, 2010.

CAIRNS, Earle Edwin. O cristianismo através dos séculos: uma história da igreja Cristã. 2 ed. São Paulo: Vida Nova, 2008.

ERICKSON, Millard J. Introdução a Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1997.

STOTT, John R. W. 1, 2 e 3 João: Introdução e comentário. São Paulo: Vida Nova, 2011.

GRUDEM, Wayne A. Teologia Sistemática: atual e exaustiva. São Paulo: Vida Nova, 2010.

KISTEMAKER, Simon J. Comentário do Novo Testamento: Tiago e Epístolas de João. São Paulo: Cultura Cristã, 2006.

LOPES, Augustus Nicodemus. Interpretando o Novo Testamento: Primeira Carta de João. São Paulo: Cultura Cristã, 2005.

HOEKEMA, Anthony A. Salvos pela Graça: A doutrina bíblica da salvação. 3 ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2001

Pr. João Rafael de Oliveira Filho

Pastor da Igreja Cristã Evangélica em Vinhais, São Luís – MA. Bacharel em Teologia Pastoral pelo Seminário Cristão Evangélico do Norte – SCEN, Bacharel em Teologia pela Faculdade Kurios – FAK, Licenciado em Filosofia pela Faculdade Evangélica do Meio Norte – FAEME, Pós Graduado em Docência do Ensino Superior pelo Instituto de Ensino Superior Franciscano – IESF, Mestrando com área de concentração em Pregação Expositiva pelo Seminário Cristão Evangélico do Norte – SCEN, atua como Professor nas áreas de Teologia, Filosofia, Música e Informática. Casado com Elzonete da Silva Oliveira, pai de Gerson Alef, Lays Rafaelle e Nicole Rafaelle.

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LONGEVIDADE NO ANTIGO TESTAMENTO: LITERAL OU FIGURADA?
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LONGEVIDADE NO ANTIGO TESTAMENTO: LITERAL OU FIGURADA?

É intenso o debate sobre a longevidade das primeiras pessoas citadas na Bíblia o que inevitavelmente gera inúmeras interpretações e consequentemente propostas bem distintas umas das outras, as quais nem sempre levam em conta o compromisso hermenêutico com as Escrituras, sendo às vezes apenas o resultado de uma percepção pessoal ou influência de alguma corrente de pensamento que se popularizou progressivamente.

Entre tantas tentativas de se encontrar uma interpretação mais adequada, algumas mais conhecidas são citadas aqui, inclusive com algum sentido lógico, mas sem fundamento histórico, teológico ou textual:

  1. A maneira de contar os anos era diferente;
  2. O ano deles era muito menor que o nosso;
  3. As idades nas genealogias são por geração e não por pessoa;
  4. Essas idades são multiplicadas por

Por serem apenas resultado de um esforço humano de dar uma resposta para o texto bíblico estas argumentações são facilmente refutadas como se pode ver nos contra-argumentos listados abaixo correspondente a cada um dos argumentos citados acima:

  1. O ano era regido pelo mesmo ciclo de hoje, Adão e Noé por exemplo, trabalhavam com a terra e plantavam segundo as estações, o homem urbano moderno é que não sabe acompanhar os ciclos da natureza, mas todo trabalhador rural conhece muito bem;
  2. Se o ano deles fosse menor do que hoje, as estações seriam diferentes naquela época, mas nunca houve mudança conhecida no ciclo dos planetas e satélites;
  3. Se a contagem dos anos nas genealogias fosse por geração, os personagens que aparecem posteriormente com a idade semelhantes às de hoje seria mais distorcida ainda;
  4. Se for dividir a idade por 10 tomando por base o nascimento dos filhos, Adão gerou a Sete quando tinha 13 anos, sendo que este não era o filho mais velho dele, para ficar só neste

Duas genealogias são muito importantes de serem observadas, a de Gn 5 e Gn 11, a primeira é antes do dilúvio (genealogia de Adão), a segunda depois do dilúvio (genealogia de Noé), é interessante como há uma mudança brusca na média de idade entre ambas.

O que explica essa mudança é o ambiente onde os habitantes da época estavam quando da narrativa, pois a quantidade de água presente no planeta provocou uma mudança de comportamento genético no ser humano, um sinal do juízo de Deus que não permitiu mais ao homem viver indefinidamente depois de ter caído em pecado, daí a necessidade do dilúvio, que não apenas sepultou uma geração ímpia, mas também fez surgir uma nova geração com a idade limitada por um processo biológico.

O quadro a seguir é uma tabela feita a partir das genealogias de Adão e Noé e explica bem essa mudança – a linha vertical se refere à idade, enquanto a linha horizontal se refere as gerações – de Adão a Noé a média de idade é acima de 900 anos e constante, depois de Noé, ou seja, após o dilúvio ela decresce até se estabilizar abaixo dos 100 anos, o ponto fora da curva é Enoque que foi trasladado.

Esse gráfico explica bem a mudança que ocorreu:

Gn 5 – Genealogia de Adão a Noé (idade entre 900 e 1000 anos)
Gn 11 – Genealogia a partir de Noé (idade foi deteriorando até estabilizar abaixo de 100 anos)

O que aconteceu para provocar essa mudança? O ambiente onde a criação estava inserida mudou completamente, foi acrescentado uma quantidade de água muito acima da que ele foi criado para viver inicialmente, o que nós conhecemos como “o dilúvio”.

A mudança no ambiente provocou uma alteração nos telômeros do DNA humano, de modo que se antes ele replicava de forma completa, desde o dilúvio, ou seja, quando passou a viver em um ambiente com mais água, a replicação ficou cada vez menor até estabilizar.

O telômero é o sistema que existe no organismo e que está relacionado à longevidade do indivíduo, conforme pode ser visto no resumo do quadro abaixo:

Concluindo a argumentação, o homem foi criado para ser eterno, porém, com a sua queda toda a criação caiu junto por ser ele a coroa de tudo que havia sido criado, de modo que a terra foi amaldiçoada, o que incluiu a própria deterioração do corpo humano. Esta mudança enorme de idade foi um processo biológico e não um fenômeno sobrenatural, porém, determinado e conduzido por Deus.

Em um ato de misericórdia, Deus usou um processo natural – no caso, o dilúvio – para mudar a genética humana a fim de que o homem não vivesse demasiadamente em um estado de miséria, sofrendo todas as dores e vicissitudes do pecado.

A correção dessa situação só acontece em Cristo, porquanto nele toda a criação será redimida e o estado original para o qual o homem foi criado será finalmente perfeito e eterno.

 

Pr. Otoniel Gomes Oliveira

Pastor da Igreja Cristã Evangélica em Cidade Operária, São Luís – MA. Bacharel em Teologia pela Faculdade Kurios. Formado em Teologia Pastoral e Mestrando em Ministério pelo (SCEN). Especialista em Estudos Teológicos pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper. Treinado em Liderança Avançada e Gestão de Pessoas e Comunicação pelo Instituto Haggai. É professor do SCEN com atuação em Teologia Sistemática/Liderança. Casado com Loide, pai de Lorena e Olavo.

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NÃO A IDEOLOGIA DE GÊNERO
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NÃO A IDEOLOGIA DE GÊNERO

Macho e fêmea os criou, e os abençoou…” (Gênesis 5.2).  

Um menino e uma menina são iguais? Claro que não. São diferentes desde a formação no ventre materno, crescimento até a morte. São diferentes no interior e exterior do corpo. Quando Deus criou o homem e mulher criou-os diferentes entre si, diz o relato bíblico: “Criou Deus, pois, o homem à sua imagem, à imagem de Deus o criou; homem e mulher os criou” (Gênesis 1.27).  

Quando a Bíblia expressa que Deus criou homem e mulher indica que eles são diferentes entre si e eles se diferem pelo sexo sim. Contrariando Deus, a Bíblia Sagrada, o Cristianismo, a tradição milenar da família e a Ciência, a ideologia de gênero afirma que a criança nasce sem o sexo definido e que o homem e a mulher são diferentes não por terem sido criados por Deus diferentes, com corpos diferentes, mas por construções sociais e culturais. Em outras palavras, porque os pais, a família, a educação e a própria sociedade os obrigam a serem diferentes. Exemplificando melhor, um menino só é menino por ter sido ensinado e obrigado a ser menino e uma menina só é menina porque foi ensinada e obrigada a ser menina.

A ideologia de gênero quer fazer as pessoas entenderem que existe um problema se houver diferenciação entre menino e menina, o problema da desigualdade, então é necessário que o menino seja igual à menina. Como a família tradicional não aceita esse ponto de vista, os adeptos da ideologia de gênero tentam entrar nas escolas através dos planos de educação, filmes e propagandas e ensinar as crianças que não existem diferenças naturais entre menino e menina, que o menino pode ser menina e a menina pode ser menino e que um menino pode ter dois pais ou duas mães. Isso pode até solucionar o problema da desigualdade, mas criará outro problema bem pior, o problema da identidade de meninos e meninas e a destruição das famílias tradicionais que vamos perceber o impacto só daqui a algumas décadas.

Dizer que o homem e mulher são iguais é simplesmente blasfemar contra o Deus Criador que criou o homem para ser homem e a mulher para ser mulher e os criou diferentes por dentro e por fora.

Dizer que o homem e a mulher são iguais é uma forma grotesca de se rebelar contra Deus e seus ensinos encontrados na Bíblia Sagrada.

Dizer que o homem e mulher são iguais é jogar no lixo o conceito tradicional milenar da família que sempre defendeu que homem e mulher são diferentes.

A ideologia de gênero como existe hoje sofreu influencia dos teóricos: Simone de Beauvior – filósofa francesa que escreveu o livro O segundo sexo em 1949. A frase dela se tornou famosa numa prova do Enem há dois anos atrás: “Ninguém nasce mulher: torna-se mulher. Nenhum destino biológico, psíquico, econômico define a forma que a fêmea humana assume no seio da sociedade; é o conjunto da civilização que elabora esse produto intermediário entre o macho e o castrado que qualificam o feminino.” John Money – psicólogo e séxologo neozelandez numa obra de 1955, diz que “gênero é um certo tipo de conduta particular do homem e da mulher.” Robert Stoller – psiquiatra norte americano que escreveu o livro Sex and gender em 1968 foi adiante e afirma que “o sexo é somente biológico e o gênero é o que cada sociedade atribui ao seu papel.” Judith Butler – filósofa norte americana escreveu o livro em O problema do gênero em 1988. Afirma que gênero é uma construção social.

Qual a consequência da ideologia de gênero?

1. EROTIZAÇÃO DAS CRIANÇAS

Propagandas de marcas, filmes e as propostas de educação da ideologia de gênero têm como objetivo erotizar as crianças. Para isso não acontecer, os pais precisam ensinar a Bíblia aos seus filhos: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele.” (Provérbios 22.6)

2. CONFUSÃO DE IDENTIDADE, PERVERSÃO DA NATUREZA HUMANA E DEFORMAÇÃO DA FAMÍLIA E DA SOCIEDADE

Cito alguns gêneros para mostrar que isso só trás confusão, perverão e deformação da família e sociedade: Transhomem – nasceu no sexo feminino, mas tem sentimento de pertencimento total ou parcial pelo gênero masculino, a ponto de sentir necessidade de ser reconhecido socialmente como homem. Transmulher – é a pessoa que genética e fisicamente nasceu homem e foi culturalmente designada como tal ao se desenvolver, mas que em algum momento da sua vida – geralmente na primeira infância – percebe a si como mulher. Neutro – não é macho nem fêmea em relação ao sexo biológico. Gênero-fluido – alguém cujo gênero muda de tempos em tempos. Este é um termo bastante brando, que cobre qualquer tipo de mudança de gênero. Gênero-estrela – um gênero não-binário que nunca poderá ser definido adequadamente por termos e definições precisas. Ou, um gênero de uma estrela, ou outro tipo de gênero relacionado a outros mundos/a alienígenas, um gênero além da compreensão. Trigênero – alguém que possui três gêneros. Pode ser um de cada vez, todos ao mesmo tempo, ou outras combinações. Gênero-borrão – uma identidade poligênero, na qual os diferentes gêneros estão tão “borrados” que é difícil ou impossível de identificar quais são. Gênero-vácuo – alguém cujo gênero não existe, e que sente um vácuo onde deveria estar o gênero. Também pode ser um termo utilizado para alguém sem gênero, já que agênero e neutrois podem ser utilizados como sinônimos de gênero neutro. Turbogênero – alguém que tentou entender seu gênero, mas tal gênero é muito confuso e embaraçado para isso. Ilusogênero – alguém que sabe qual é seu gênero, mas que ainda sente que ele é falso, por causa de neurodivergência ou pressões externas (família, sociedade, etc).

“Ai dos que chamam ao mal bem e ao bem, mal, que fazem das trevas luz e da luz, trevas, do amargo, doce e do doce, amargo” (Isaías 5.20).

3. DESTRUIÇÃO DA FAMÍLIA TRADICIONAL

            Coloque em uma ilha apenas 100 homens ou apenas 100 mulheres e daqui a 100 anos, a população da ilha desaparecerá. Ponha 50 casais em uma ilha e daqui a 100 anos terá uma população crescente. A ideologia de Gênero destrói as famílias, enquanto que a família como Deus a instituiu cresce e cumpre o propósito de Deus: “E Deus os abençoou e lhes disse: Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra…” (Gênesis 1.28)

Graças a Deus a sociedade cristã e família tradicional estão reagindo a essa ideologia diabólica, pois somente com famílias como Deus instituiu: Pai/Homem, Mãe/Mulher e Filhos é que a sociedade será forte.

Deixemos e ensinemos os meninos a desenvolverem a masculinidade como ensina a Bíblia e deixemos e ensinemos as meninas a desenvolverem a feminilidade bíblica como o Criador criou. E quanto a sua família, ela está ameaçada, ute por ela usando os ensinos da Bíblia Sagrada e orando pedindo a Deus que a mantenha como é o desejo d’Ele: PAI/Homem, MÃE/Mulher e FILHOS unidos e servindo a DEUS: “Lutem por seus irmãos, por seus filhos e por suas filhas, por suas mulheres e por suas casas” (Neemias 4.14, NVI).

Pr. Jairo Oliveira dos Santos

Pastor da Primeira Igreja Cristã Evangélica de Barra do Corda-MA. Bacharel em Teologia pelo Seminário Cristão Evangélico do Norte em São Luís – MA, Licenciado em Filosofia pela Faculdade Evangélica do Meio Norte de Coroatá-MA, Pós graduado em Gestão e Docência do Ensino Superior pela Faculdade Ieducare de Tianguá-CE e mestrando pelo Seminário Cristão Evangélico do Norte em São Luís-MA. Casado com Andréia e pai de dois filhos: Tirza e Esdras

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TEOMORFISMO: O QUE SIGNIFICA?
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TEOMORFISMO: O QUE ISSO SIGNIFICA?

Em nossas leituras teológicas e nas conversas a respeito da interpretação bíblica sempre nos deparamos com termos como antropomorfismo que se trata de uma figura de linguagem utilizada pelos escritores da Bíblia em que características humanas são atribuídas a Deus e antropopatismo que se trata de uma figura de linguagem também utilizada pelos escritores sacros em que sentimentos humanos são atribuídos a Deus.

Muito embora sejam os homens que costumam atribuir características suas a Deus, mesmo que seja de forma figurada, existe uma característica divina que foi atribuída pelo criador ao homem desde o momento de sua criação, de forma definitiva e absoluta que é o teomorfismo.
Por teomorfismo podemos entender que se trata da forma divina com a qual o homem foi criado, conforme aparece na Bíblia pela expressão imagem e semelhança (Gn 1.26), ou seja, Deus (theos) fez o homem segundo à sua forma (morphé), portanto, este se trata de um ser teomórfico, pois carrega consigo a imagem de Deus, ou conforme o texto bíblico, o homem é a imagem e semelhança do criador.

É interessante considerar a condição teomórfica do homem a partir dessas duas características que a Bíblia apresenta, a saber, imagem e semelhança, pois elas trazem as implicações mais precisas a respeito do propósito divino para o homem. Antes, porém é importante dizer que no texto original hebraico não existe conjunção entre estas duas palavras, mostrando que são termos equivalentes.

A palavra imagem é a tradução do termo hebraico tselem, que significa esculpir ou cortar, no sentido de fazer outro igual ao original, mostrando que o homem é uma imagem exata de Deus, uma representação ideal do criador e que por esta razão está apto a representá-lo diante do restante da criação.

A palavra semelhança é a tradução do termo hebraico demuth que significa ser igual, de modo que o fato do homem ser a imagem de Deus implica ser também semelhante a ele, portanto é uma representação fidedigna de Deus nos aspectos que o criador comunicou à sua criatura.
O teomorfismo é, deste modo, a forma que Deus comunicou de si ao homem através da sua imagem e semelhança, para que este pudesse representá-lo adequadamente e governasse o restante de sua criação como um verdadeiro mordomo que zela pelo que lhe foi confiado.

Este controle pelo qual o homem pode representar a Deus fidedignamente é mais bem visto em alguns aspectos da experiencia diária pelos quais a condição teomórfica se torna mais evidente, pois ao agir sob a obediência ao criador, se cumpre adequadamente a tarefa confiada.

O primeiro desses aspectos é o domínio concedido aos homens pelo próprio Deus (Gn 1.26) quando deu autoridade suprema de forma definitiva para que o homem pudesse estabelecer uma sociedade, desenvolver uma cultura e cuidar da criação de forma que o nome de Deus pudesse ser honrado através desse domínio.

Um segundo aspecto a ser considerado é o fato de o homem ter sido criado homem e mulher, os quais através do companheirismo e da complementariedade, refletem a condição teomórfica que carregam consigo, mostrando assim que Deus não existe como um ser solitário, mas existe como um ser em comunhão com suas criaturas e consigo mesmo através da trindade.

Isto não quer dizer que o homem e a mulher são representantes físicos de Deus, mas que ao se tornarem uma só carne representam a comunhão de Deus consigo mesmo e com seus filhos, como deixa claro o apóstolo Paulo ao usar o casamento do homem e a mulher como uma figura do amor de Cristo por sua igreja (Ef 5.25).

O terceiro aspecto é a responsabilidade que Deus deu ao homem ao confiar o mandato cultural a este (Gn 1.28), revelando assim que a condição teomórfica se expressa pela capacidade humana de exercer suas funções à semelhança de Deus, quando de forma planejada criou tudo que existe.

O teomorfismo é, portanto, uma condição comum a todos os filhos de Deus a qual é intrínseca à natureza humana como um privilégio único que Deus concedeu ao único ser criado à sua imagem e semelhança.

Pr. Otoniel Gomes Oliveira

Pastor da Igreja Cristã Evangélica em Cidade Operária, São Luís – MA. Bacharel em Teologia pela Faculdade Kurios. Formado em Teologia Pastoral e Mestrando em Ministério pelo (SCEN). Especialista em Estudos Teológicos pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper. Treinado em Liderança Avançada e Gestão de Pessoas e Comunicação pelo Instituto Haggai. É professor do SCEN com atuação em Teologia Sistemática/Liderança. Casado com Loide, pai de Lorena e Olavo.

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A PLENA HUMANIDADE DE CRISTO
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A PLENA HUMANIDADE DE CRISTO – PARTE 1

E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós, e vimos a sua glória…(João 1:14)

INTRODUÇÃO

Comprovadamente, nunca houve na história da igreja quem negasse que Jesus de Nazaré, filho de Maria, não fosse homem. Contudo, a plena humanidade do Redentor foi, e continua sendo, um assunto teológico de grande controvérsia.

Desde cedo houve oposição à crença da plena humanidade do Filho de Deus. Um exemplo clássico dessa oposição foi o docetismo [1] uma heresia do final do primeiro século que ensinava que o corpo de Jesus era apenas uma aparência. Uma de suas afirmações clássicas era que, quando Jesus caminhava na praia, ele não deixava pegadas.  

O Catecismo Maior de Westminster [2], no entanto, em sua resposta à pergunta 37 “Sendo Cristo o Filho de Deus, como se fez homem?” estabelece o seguinte:

Cristo, o Filho de Deus, fez-se homem tomando para si um verdadeiro corpo e uma alma racional sendo concebido pelo poder do Espírito Santo no ventre da Virgem Maria, da sua substância e nascido dela, mas sem pecado.  João 1:14; Mateus 26:38; Lucas 1:31, 35-42; Hebreus 4:15, e 7:26.

Conforme se conclui do referido documento, essa verdadeira substância humana, derivada de Maria, possuía dois elementos: verdadeiro corpo (elemento material) e verdadeira alma racional (elemento imaterial).

Cremos, portanto, que o Filho de Deus, nosso Redentor era plenamente humano, pelas evidências que apresentamos a seguir.

I – ELE POSSUÍA CORPO VERDADEIRO

Conforme vimos anteriormente, nos tempos dos apóstolos o docetismo afirmava que o corpo de Cristo era apenas uma aparência, não era palpável, tinha tão somente a semelhança de carne, e nada mais.

Porém, o apóstolo João defendeu a verdadeira humanidade do Filho de Deus quando afirmou que Seu corpo era uma realidade palpável, e não um fantasma, conforme se evidencia da passagem de 1 João 1.1: “que era desde o princípio, o que temos ouvido, o que temos visto com os nossos próprios olhos, o que contemplamos, e as nossas mãos apalparam, com respeito ao Verbo da vida”.

Nesse trecho, o apóstolo João enfatiza que o Verbo da Vida, o que havia se encarnado era um homem tão real que poderia ser percebido pelos sentidos físicos.  O Dr. Heber Carlos Campos [3] nos ajuda a entender esse fato quando declara:

Ele (Jesus Cristo) poderia ser ouvido, porque falava em palavras audíveis; e a vibração do som provocado por suas cordas vocais podia ser percebida por meio dos sentidos; a sua corporeidade podia ser claramente deduzida do fato de poder ser visto com os próprios olhos de João (…) Disse ainda que o havia apalpado com as próprias mãos. Não se apalpa um espirito ou fantasma, mas algo que possui corporeidade ou fisicalidade.

Além do apóstolo João, Paulo defendeu a humanidade de Jesus em Colossenses 2.9 “portanto, nele, habita, corporalmente, toda a plenitude da divindade”. Embora a finalidade da passagem seja demonstrar a divindade de Jesus Cristo, não se pode negar que a mesma também indica traços da natureza física do nosso Salvador. Combatendo algumas concepções docéticas, Lutero defendia a plena humanidade de Cristo quando declarou que “(…) ele (Jesus Cristo) viveu entre homens. Ele tinha olhos, boca, nariz, caixa toráxica, estomago, mãos e pés, exatamente como você e eu temos. Sua mãe o amamentou como qualquer outra criança é amamentada”. [4]

Ademais, o próprio Redentor defendeu ter verdadeiro corpo. Após sua ressurreição, alguns de seus discípulos começaram a duvidar de que ele estivesse ali presente em carne e osso. Então, o Senhor falando sobre sua humanidade corpórea disse:

Lucas 24.39-43 – Vede as minhas mãos e os meus pés, que sou eu mesmo; apalpai-me e verificai, porque um espírito não tem carne nem ossos, como vedes que eu tenho. Dizendo isto, mostrou-lhes as mãos e os pés.  41 E, por não acreditarem eles ainda, por causa da alegria, e estando admirados, Jesus lhes disse: Tendes aqui alguma coisa que comer?  42 Então, lhe apresentaram um pedaço de peixe assado e um favo de mel.  43 E ele comeu na presença deles.

Contudo, mesmo diante de evidências como essas, comumente, enfatizamos mais o Cristo divino, e acabamos por obscurecer a humanidade do nosso Redentor. É pertinente, nesse ponto, ouvirmos as palavras Louis Berkhof [5], um renomado teólogo reformado, quando nos alerta para o seguinte:

É muito importante afirmar a realidade e a integridade da humanidade de Jesus, admitindo o Seu desenvolvimento humano e as Suas limitações humanas. Não se deve salientar o esplendor da Sua divindade a ponto de obscurecer a Sua verdadeira humanidade. Jesus chamou-se homem a Si próprio, e assim foi chamado por outros, João 8.40; Atos 2.22; Romanos 5.15; 1 Coríntios 15.21. A mais comum forma de auto-tratamento de Jesus, “o Filho do homem”, seja qual for a conotação que tenha, por certo indica também a verdadeira humanidade de Jesus.

II – ELE POSSUÍA ALMA RACIONAL

A alma é parte imaterial da composição humana, assim como o corpo é a sua parte material. Corpo e alma são elementos necessários para tornarem o homem o ser que ele é, desta maneira era essencial que o Mediador tivesse a natureza completa [6].

Surgiu desde cedo, na igreja cristã, quem negasse que o nosso Salvador possuía alma humana. Apolinário foi um exemplo disso. [7] Contra os ensinos de Apolinário, o Credo de Calcedônia estabeleceu que Jesus Cristo era “verdadeiro homem, consistindo de uma alma racional e um corpo”. Foi com base na Escritura  que os pais apostólicos concluíram que Jesus possuía alma humana ou espirito.

Por exemplo: antes de sua crucificação, ele declarou: “a minha alma está angustiada até a morte” João 12.27. Pouco depois, ele escreve: “ditas estas coisas, angustiou-se Jesus em espirito” João 13. 21.

Além do mais, Cristo possuía uma mente humana, sujeita às mesmas percepções e desenvolvimento que as mentes dos outros homens possuem. Sua mente possuía percepção, lógica, desenvolvimento de ideias e assimilação de conceitos e informações. O menino Jesus Cristo crescia em estatura e em sabedoria. Ele era um menino ativo e observava todas as coisas, tirando lições delas [8], conforme se verifica em Lucas 2.52 – “E crescia Jesus em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens.”.

 Grudem [9] também nos auxilia aqui, quando ele declara:

O fato de que Jesus “crescia em sabedoria” (Lucas 2:52) nos diz que passou por um processo de aprendizado assim como acontece com todas as outras  crianças. Ele aprendeu a comer, falar, ler e escrever, e a ser obediente aos seus pais (veja Hebreus 5:8). Esse processo de aprendizado fazia parte da genuína humanidade de Cristo.

A única diferença, certamente, é que a mente do Filho de Deus não havia recebido os efeitos decadentes do pecado, porque sua alma era santa, Hebreus 4.15.

III – ELE POSSUÍA EMOÇOES HUMANAS

Sabemos claramente que as emoções são características dos seres racionais, sejam eles homens, anjos, ou o próprio Deus. Jesus Cristo, em sua natureza humana demonstrou emoções como homem normal:

A. Ele demonstrou alegria – “Naquela hora, exultou Jesus no Espírito Santo e exclamou: Graças de dou, ó Pai, Senhor do céu e da terra, porque ocultaste estas coisas aos sábios e instruídos e as revelaste aos pequeninos. Sim, ó Pai, porque assim foi do teu agrado.” Lucas 10.21.

É certo que Jesus Cristo foi “homem de dores e que sabe o que é padecer” (Isaías 53.3). Por causa disso, algumas pessoas podem pensar que a vida de Jesus era só de tristeza. Mas isso não é verdade.  Lucas 10.21 é um exemplo disso.

B. Ele demonstrou tristeza –  João 11.33-35 – “Jesus, vendo-a chorar, e bem assim os judeus que a acompanhavam, agitou-se no espírito e comoveu-se (…) Jesus chorou.” 

Este é um dos capítulos mais tocantes que tratam das emoções de nosso Redentor. Essas emoções são próprias e exclusivas de seres humanos. Sabemos que a divindade não tem sentimentos como os nossos. Porém, vemos que o texto fala que Jesus Cristo “agitou-se no espírito e comoveu-se”.  Esta é uma demonstração de sentimentos. Ele amava aquela família que perdera um ente querido. Vendo Maria chorar, Jesus não se conteve e chorou também. Ele não pode evitar essa comoção interior. Esse tipo de emoção torna o Salvador bem próximo de nós, e revela de maneira muitíssimo clara a sua verdadeira humanidade.

IV – ELE POSSUÍA LIMITAÇÕES HUMANAS

Há várias circunstâncias mencionadas na Escritura que apontam para as limitações de nosso Redentor, quando o olhamos pela ótica de sua humanidade.

A) Vemos que Ele se cansava: João 4.6 – “Estava ali a fonte de Jacó. Cansado da viagem, assentara-se Jesus junto à fonte, por volta da hora sexta.”

B) Vemos que Ele tinha sede: João 4.7 – “Nisto veio uma mulher samaritana tirar água. Disse-lhe Jesus: Dá-me de beber.”.

A sede é o resultado natural do cansaço, do esforço físico e da sequidão da garganta quando se viaja a pé por estradas poeirentas.

C) Vemos que Ele tinha fome: Mateus 4.2 – “E depois de jejuar quarenta dias e quarenta noites, teve fome”.

A fome é um sintoma do organismo humano que aponta para a necessidade de comer para que possa sobreviver.

APLICAÇÃO

O fato de nosso Senhor ter um corpo como o nosso, já nos torna parecidos com ele, e isso nos consola e nos conforta.

Quando sofremos enfermidades em nosso corpo ou angustias em nossa alma, temos alguém que nos consola e conforta, pois ele também experimentou isso. Talvez você esteja triste por alguma coisa que tem roubado sua alegria, mas anime-se, nosso Senhor demonstrou que é possível sorrir mesmo quando a cruz é pesada.

O fato de ter Ele uma alma como a nossa, mas livre de todas as imperfeições, nos anima e nos alegra pela esperança da promessa de que um dia teremos uma alma perfeita como a dele.

CONCLUSÃO

Portanto, cremos que o nosso Redentor era um homem real, não apenas uma aparência de homem. A encarnação lhe trouxe um corpo real, o que não somente podia ser visto e ouvido, mas também tocado, o que veio ser passível de sofrimento, morte e ressurreição.

REFERÊNCIAS

[1] do verbo grego dokeō, “aparentar, parecer-se com.

[2] Catecismo Maior de Westminster foi um dos símbolos de fé produzidos pelos puritanos do século XVII, em Westminster, Inglaterra, entre os anos de 1644-1648.
[3] CAMPOS, Heber Carlos de, A Pessoa de Cristo – As duas naturezas do Redentor. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p.387

[4] Luther’s Works, vol.22. Sermons on the Gospel of John (Saint Louis: Missouri, Concordia 1957) citado por Heber Carlos Campos A Pessoa de Cristo – As duas naturezas do Redentor. São Paulo: Cultura Cristã, 2004, p.387.

[5] BERKHOF, Louis. Teologia Sistemática.2. ed. São Paulo: Cultura Cristã, 2002, p. 292;

[6] Ibid, p. 387

[7] Apolinário nasceu em Laodicéia da Síria e ali se tornou bispo por volta de 361. Era docético em sua cristologia, negando a plenitude da humanidade de Cristo por causa do seu conceito da composição tripartite da natureza humana. Para um estudo mais aprofundado do assunto;
[8] Ibid,  p. 387

[9] GRUDEM, Wayne. A. Teologia Sistemática. São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 438.

Pr. Ronaldo Pereira Costa

Pastor da Primeira Igreja Cristã Evangélica de Presidente Dutra – MA. Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico do Nordeste – STNe. Especialista em Aconselhamento Bíblico pelo Seminário Cristão Evangélico do Norte – SCEN. Mestre em Divindade com concentração em Novo Testamento pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper. Bacharel em Direito pelo Centro de Ensino Unificado de Teresina -CEUT. Especialista em Direito Civil e Processo Civil pela mesma instituição. Advogado militante desde 2013, OAB/PI. Casado com Natielly, pai de Isabelly, Débora, Luis Antônio, Ronaldo Junior e Elisa.

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CONCEITO DE FÉ
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O CONCEITO DE FÉ NA EPÍSTOLA AOS HEBREUS

Ora, a fé é a certeza daquilo que esperamos e a prova das coisas que não vemos. (HEBREUS 11:1)

INTRODUÇÃO

Pelo fato de vivermos num mundo pluralista, relativista e materialista é imprescindível que se defina fé. Principalmente porque no Brasil se destaca uma fé num sentido místico parecido com a do terreiro de macumba. O termo “fé” tem sido conceituado por todos e de várias formas. Obviamente estes conceitos não têm base bíblica, na sua maioria. Tentam definir a fé meramente baseados em suas experiências e invenções. Portanto, faz-se extremamente necessário que se defina biblicamente tal termo, pelo menos na visão de teólogos interpretando especificamente no livro de Hebreus. Nesta definição almeja-se, além da clareza do termo em Hebreus, um melhor exercício da fé no cotidiano do salvo e na tarefa fiel de ensinar a verdade aos que ainda não a conhecem ou se conhecem, mas, não obedecem.

DEFINIÇÃO DE FÉ EM HEBREUS

O autor de Hebreus não cita todas as definições de fé. Mas, ressalta um deles neste contexto. A palavra fé tem muitos aspectos no Novo Testamento. Por exemplo:

• Gálatas 1.23, fala da fé no sentido de “confissão, credos, etc.”;
• João 20.31, define fé no sentido de crer em Jesus como o objeto da fé;
• Romanos 10.17, diz que é o meio pelo qual se apropria da salvação em Cristo.

Porém, em Hebreus temos várias definições: Ladd afirma que “A fé é o meio através do qual o crente pode agora alcançar este mundo invisível, de realidades celestiais (11:1)” 2.

O pré-requisito básico para a vida cristã, em Hebreus, é a fé. A fé, em Hebreus, recebe uma ênfase diferente daquela em João e em Paulo. O segundo tem a fé como confiança pessoal e submissão a Jesus, que traz união com Cristo e, portanto, a salvação. Em Hebreus, a fé é a faculdade de perceber a realidade do mundo invisível de Deus e de fazê-lo o objetivo básico de sua vida, em contraste com o caráter transitório e freqüentemente mau da existência humana presente. Hebreus nos dá o que resume a definição da fé como o termo é usado no livro: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que não se vêem” (11:1) 3.

Ele continua dizendo:
A fé é o que torna real, para o crente, o mundo invisível de Deus. “Porque é necessário que aquele que se aproxima de Deus creia que ele existe, e que é galardoador dos que o buscam” (11:6), não nesta vida, mas na plenitude na salvação prometida. O homem de fé é aquele que não considera o mundo visível da experiência humana o mundo dos valores supremos. Ele reconhece que acima estão as realidades espirituais do Reino de Deus, que ele não pode perceber com seus sentidos físicos, mas que, para ele, são mais reais do que o mundo fenomenal 4.

Ladd deixa claro que a exortação aos leitores de Hebreus serve como motivação dos heróis da fé, que não alcançaram nesta terra a promessa do Autor e consumador da fé, mas que alcançou na cidade celestial. Por isso ele diz que, “A fé é a faculdade que torna estas promessas reais” (p.540). Então, os hebreus tinham que enfrentar as perseguições com fé, porque, “A fé é um apoderar-se da promessa de Deus, para sua suprema salvação, quer esta vida traga bênçãos físicas ou males” (p.541).

A fé nos sinóticos é diferente da fé em Hebreus segundo Joachim Jeremias, ”fé é a confiança que não se deixa dissuadir”. Para ele, as pessoas procuravam Jesus porque confiavam que ele podia curá-los, mas, principalmente por que tinham nele a identificação do Messias, por chama-lo de Rabi, Raboni, Filho de Davi 5.

No decorrer dos séculos a fé tem recebido vários conceitos e ênfases diferentes. Justo González, afirma que os escolásticos falavam de dois sentidos da fé: “O primeiro é a fé como ação de crer: fides qua creditur. O segundo, o que se crer, fidea quae creditur” 6. No primeiro enfatiza-se a “confiança” a ponto de se entregar a quem confia (fidúcia). No segundo, envolve a aceitação do que se crer.

Para Lutero, devido sua experiencia da justificação pela fé, afirmava a fé como fidúcia, tendo Deus como o único objeto da fé, contrariando o pensamento medieval que afirmava que a pessoa podia ter fé ao acreditar nos ensinos da igreja. Calvino “via a fé como ‘um conhecimento firme e certo’ do amor de Deus, mas o próprio uso da palavra ‘conhecimento’ nesse contexto mostra que a fé não é somente questão do coração ou da vontade. A fé envolve toda a pessoa e, portanto inclui os elementos cognitivos, o conhecer quem é esse Deus em quem se crer, e os afetivos, nos quais a fé se manifesta na piedade”. 7

O entendimento de fé sofreu alterações no auge do racionalismo e deísmo quando muitos pensavam nela como a aceitação cega do que a razão não podia provar, ou do que a razão não podia provar. Já o liberalismo trouxe a dimensão afetiva da fé como experiencia do amor de Deus, compreendendo a fé numa visão da teologia existencialista, baseada no sentimentalismo e conceitos morais.

O autor de Hebreus reconhece esses mesmos aspectos da fé apresentados por outros escritores do Novo Testamento. No entanto, seu uso do conceito de fé deve ser entendido primariamente no contexto do capítulo 11 de sua epístola.
“Ora, a fé é a certeza de coisas que se esperam a convicção de fatos que se não vêm”. V.1
Certeza: substância; “coisas esperadas acontecem ou coisas esperadas se tornam realidade”. Ver 3.14

O autor fala da esperança. A esperança não é uma qualidade inativa, escondida. Ela é ativa e progressiva. Inclui todas as promessas de Deus. No entanto, nem tudo que se diz ser fé, de fato é. Nem toda certeza é fé. A fé tem que vir da verdade e apontar para a verdade (Hb 12.2). Por exemplo: Alguém que afirma que vai ganhar na loteria porque tem muita fé não tem base bíblica, pois a fé tem que está baseada nas promessas contidas na Palavra de Deus. A fé, então, é a confiança que o crente expressa quando enfrenta perturbadora descrença.

I. O QUE A FÉ CONCEDE?

Convicção: v.1, fala de convicção interior. O crente tem convicção de que as coisas são reais mesmo sem ele ver. Mesmo faltando evidências a fé gera convicção. Não depende dos nossos sentidos (olhos para ver), mas de uma esperança centralizada na mente e no espírito do homem.
Bom Testemunho: v.2 Por causa da fé, os anciãos, foram reconhecidos por Deus e por seu povo.
Entendimento: v.3 Quem viu a criação do universo? Quem estava lá? Você, seu pai, seu avô, Abel, Adão? Ninguém, senão o Criador triuno. Portanto é necessário ter fé para acreditar e entender aquilo que não vimos no passado ou veremos no futuro. A fé traz entendimento! Ver Romanos 1.20; precisamos conhecer a verdade bíblica para crermos.
Visão: v.3b O homem de visão ver o que realmente aconteceu e acontecerá. Ele ver pela fé que foi Deus quem criou todas as coisas que vemos fisicamente. A pessoa que tem fé ver o invisível!

II. SOMENTE PELA FÉ:

Há um contraste entre fé e descrença. Mas, a ênfase está sobre a fé.
Temos a Aprovação de Deus na Adoração – v.4

A fé leva o adorador à:
a. Excelência: “sacrifício mais excelente” =
b. Justiça: “homem justo”.
c. Testemunho: “mesmo depois de morto ainda fala”.
Podemos Agradar a Deus no Cotidiano – v.5,6

A fé leva o crente a agradar a Deus. Mas, o que é agradar a Deus?
1º – É andar com Deus: Gn 5.21 = Agradou a Deus
2º – É aproximar-se de Deus: “aquele que se aproxima de Deus” v.6
3º – É buscar a Deus: “que se torna galardoador dos que o buscam”.

E, uma vida agradável diante de Deus:
a. Isenta-nos das consequências do pecado: “para não ver a morte”.
b. Evidencia-nos como pessoas distintas: Gn 5.21-24
c. Livra-nos do ateísmo e da pobreza espiritual: v.6
• Ateísmo: “creia que ele existe”;
• Pobreza Espiritual: “se torna galardoador”.

Somos salvos da condenação com o Mundo – v.7
A fé é o meio pelo qual somos salvos da condenação que o mundo recebe. A Salvação nos leva a:

a. Receber orientações divinas: “divinamente instruído”.
b. Temer a Deus: “e sendo temente a Deus”.
c. Herdar a justiça: “e se tornou herdeiro da justiça”.

CONCLUSÃO:

Abel, Enoque e Noé eram homens solitários em cada uma de suas gerações. A fé não é de todos, somente para aqueles que recebem o dom de Deus (Efésios 2.8,9). Observe o seguinte: Por sua fé Abel pagou o preço de sua vida. Por sua fé Enoque foi transladado. Pela fé Noé salvou a vida de sua própria família. Pela fé a igreja está de pé por séculos. A fé é o firme fundamento!

REFERÊNCIAS

2 Ladd, George Eldon. Teologia do Novo Testamento. Tradução: Darci Dusilek, Jussara Marindir Pinto Simões Árias. São Paulo: Hagnos, 2001. p.531
3 Ibidem, p.540
4 Ibidem, p.540
5 Jeremias, Joachim. Teologia do Novo Testamento. Trad. Pe João Resende Costa. São Paulo: Hagnos, 1971. p.250
6 L. González, Justo. Breve Dicionário de Teologia. Trad. Silvana Perrela Brito. São Paulo: Hagnos, 2009. p.135
7 Ibdem, p.136

Pr. João Duarte de Alencar

Pastor da Igreja Cristã Evangélica de Breves – PA. Casado com Elizângela, pai de três filhos: Josué, Yeremyh e Julya Anne. É Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Tocantins – FATEBE.

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A REVELAÇÃO DO LOGOS EM NOSSAS VIDAS
No princípio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus. (João 1:1)

Logos, termo grego que no latim foi traduzido por verbum, é entendido na filosofia como a razão enquanto primeira substância ou causa do mundo, na teologia como a segunda pessoa da divindade. Heráclito foi quem primeiro definiu o pensamento sobre o logos quando disse que os homens são ignorantes com relação ao ser do logos antes e depois de ouvirem falar dele, não o conhecendo mesmo que tudo aconteça por seu intermédio. Para a filosofia grega o logos é a própria lei do cosmo, de onde todas as leis humanas derivam porque esta domina em tudo e prevalece a tudo.

Os estóicos citados por Lucas em Atos 17.18 viam no logos o princípio ativo e formador do mundo. O pensador Plotino dizia que o logos age na matéria como um princípio ativo natural, não é pensamento nem visão, mas potência capaz de modificar a matéria, potência que não conhece, mas age como selo que imprime sua forma ou como objeto que reproduz o seu reflexo, sendo assim, neste sentido o logos é o próprio intelecto divino ordenador do mundo.

Como identificação divina o logos passou a ser visto assim antes do cristianismo, encontrando sua primeira formulação em Filo de Alexandria; na sua doutrina o logos é o intermediário entre Deus e o mundo, o instrumento da criação divina. Filo dizia que o logos é a sombra de Deus, servindo a Ele como instrumento. Diferente do mito, o logos é visto na filosofia como algo que Deus coloca na alma do ser humano como verdade íntima.

João, porém, fazendo uma intersecção com este pensamento grego expressa na sua epístola a presença do logos divino, pois como escrevia na língua predominante na época, o próprio grego, se apropriou do pensamento sobre o logos para difundir a pessoa de Cristo através do termo. Portanto no cristianismo o logos é identificado diretamente com a pessoa de Cristo, equiparando-o com o Deus Pai, mas também tendo uma participação na natureza humana. No conceito joanino o logos é monoteísta, ético, escatológico e nada tem a ver com a concepção gnóstica ou puramente estóica. João falou sobre o logos referindo-se ao Javé do A.T. que através de Sua Palavra tem o poder que cria e sustenta o mundo, traz luz, revelação e julgamento sobre o mundo e é efetiva para a salvação dos povos.

O ponto central da declaração de João no início do seu texto é a encarnação do logos onde todo o evangelho se apresenta, onde as boas novas são definitivamente proclamadas, onde o apóstolo apresenta o logos como o próprio Deus, como segunda pessoa da trindade santa, como aquele que estava presente na criação (Gn 1.1), como a fonte de todas as origens desde toda a eternidade, o logos e Deus não são apenas idênticos, mas são apenas um. Para João o logos é o sustentador da existência das coisas criadas, nada está fora da sua atividade criativa e sustentadora, o logos é o portador da vida, da salvação e da eternidade.

O pensamento sobre o logos sempre teve uma origem religiosa, os filósofos só recorreram a ela quando quiseram dar um caráter religioso a seus pensamentos, reconhecendo no logos a existência e a revelação de Deus, ou seja, o saber, o eu, a imagem e fundamento da vida divina. Portanto quando João revela o logos através do seu evangelho, está tão somente nos confirmando quem é o sustentador de nossas vidas, Jesus Cristo o Senhor.

Pr. Otoniel Gomes Oliveira

Pastor da Igreja Cristã Evangélica em Cidade Operária, São Luís – MA. Bacharel em Teologia pela Faculdade Kurios. Formado em Teologia Pastoral e Mestrando em Ministério pelo (SCEN). Especialista em Estudos Teológicos pelo Centro de Pós Graduação Andrew Jumper. Treinado em Liderança Avançada e Gestão de Pessoas e Comunicação pelo Instituto Haggai. É professor do SCEN com atuação em Teologia Sistemática/Liderança. Casado com Loide, pai de Lorena e Olavo.

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O ACONSELHAMENTO BÍBLICO NOUTÉTICO
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O ACONSELHAMENTO BÍBLICO NOUTÉTICO E A IMPORTÂNCIA DE JAY ADAMS PARA A TEOLOGIA PASTORAL NO SÉCULO XX

O presente artigo tem como finalidade apresentar o desafio que a teologia pastoral enfrentou no século XX com a influência do iluminismo materialista definindo o modus operandi da abordagem ao problema do homem e seus desafios em lidar com suas emoções e atitudes desde o início do século até meados da metade do século. Assim como apresentar como o pastor Jay Adams contribuiu para o retorno das Escrituras na orientação de corações que sofrem com algum nível de tribulação. Adams resgatou a herança pastoral do cuidado das ovelhas a partir da suficiência das Escrituras e seu poder transformador, movimento que por ele foi denominado Aconselhamento Bíblico Noutético.

Introdução

Entre os anos de 1859 a 1950 o meio pastoral enveredou por um caminho humanista para pastorear pessoas em seus dilemas. Influenciados por teóricos das psicologias que ganhavam espaço no ambiente acadêmico e clínico e pela hermenêutica liberal que tanto adentrou nos seminários de formação teológica, líderes e pastores transformaram a herança reformada e puritana de cuidado da alma a partir das Escrituras para um emaranhado de técnicas e abordagens com pressupostos antropológicos totalmente humanistas.

Durante décadas, gabinetes pastorais foram violentados por conselheiros que utilizavam teorias psicologizadas para direcionar pessoas em suas decisões e compreensões das coisas ao seu redor. A Bíblia fora rebaixada à categoria de um livro meramente religioso sem muita relevância para a vida diária e que não traria respostas aplicáveis aos problemas do homem moderno.

Alimentados pelas novas teorias psicologizadas sobre o homem e a resolução de seus conflitos pastores passaram a delegar o cuidado e o pastoreio do coração de suas ovelhas a psicólogos e terapeutas. Em pouco tempo, a pregação da Palavra passou a algo meramente abstrato, sem aplicabilidade nos dilemas comuns da vida cotidiana. O pastor passou a ser apenas um orador que semanalmente ensinava assuntos religiosos que em quase nada eram efetivos diante dos desafios de uma sociedade em transformação.

A inquietação de Adams ao perceber, como excelente professor de oratória e pregação no Westminster Seminary, que seus alunos e colegas pastores não tinham respostas bíblicas práticas quando suas ovelhas compartilhavam problemas profundos de suas almas o levou a dedicar-se no estudo acurado sobre a suficiência da Escritura e seu poder transformador no cuidado das pessoas. Surgiu então uma “reforma” na teologia pastoral em pleno século XX e um movimento de resgate para que pastores munidos da Escrituras retomassem o cuidado de suas ovelhas ao invés de entrega-los nas garras de lobos vorazes em seu apetite humanista religiosamente praticantes de conceitos psicológicos. Adams iniciou então o movimento denominado “Aconselhamento Bíblico Noutético”.

O século XX e seus desafios para o aconselhamento bíblico

O início dos anos 1900 com todo o espírito de mudanças e inovações na indústria, filosofia, economia e sociedade cooperou para uma hermenêutica na percepção teológica de que a chave para desvendar os mistérios e desafios do comportamento e da alma humana estavam “dentro do próprio homem.” William James e E.D. Starbuck desencadearam e popularizaram, motivados por esse espírito humanista o movimento da Psicologia da Religião.

Os escritos e ensinamentos de Freud também ganharam notoriedade na emergente sociedade psicologizada do ocidente e despertaram a curiosidade entre acadêmicos e estudiosos no início do século. Sua metapsicologia e seu conceito da estrutura da psiquê (Id, Ego e Superego) tornaram-se atrativas para que pastores e teólogos construíssem uma teoria conjunta entre psicologia e teologia. Décadas mais tarde, a psicologia de Carl Roger de aceitação positiva incondicional moldou drasticamente a prática do aconselhamento pastoral na América do Norte e se expandiu pelo mundo.

O fruto desse crescente interesse por uma fusão entre os saberes da teologia ministerial do aconselhamento cristão e a psicologia foi o surgimento do movimento Integracionista. Uma “escola” de aconselhamento que reivindicava a interação e a aplicação das práticas e conteúdos psicoterapêuticos à fé e interpretação bíblica no cuidado de cristãos em seus problemas.

Os Integracionistas, em suma, reivindicam uma abordagem “bíblica” misturadas ao conteúdo e prática das psicoterapias seculares enaltecendo assim, uma “psicologização” do aconselhamento bíblico, dando mais ênfases às interpretações seculares sobre o ser humano e suas demandas do que um olhar bíblico sobre a antropologia. Seu propósito, então, ao invés de enaltecer a Escritura e sua suficiência é rebaixa-la ao patamar do humano (pensamento liberal) e divinizar a psicologia enlaçando-a ao conteúdo da fé cristã.

HINDSON & EYRICH (2018) dedicam algumas páginas no livro “Nada Além das Escrituras: O Aconselhamento e a Palavra de Deus” apresentando um breve histórico do movimento integracionista em 3 fases.

Inicialmente, houve a fase preliminar, que veio desde a década de 1950 até o final da década de 1960. […] A fundação da Fuller Graduate School of Psychology, em meados da década de 1960, foi o ponto culminante dessa fase inicial.

A segunda fase foi a fase de profissionalização. Nos 25 anos seguintes – em parte como reação às críticas de Jay Adams – o movimento integracionista consolidou-se intelectual e institucionalmente. […] Entre os líderes do movimento integracionista, destacam-se: Clyde Narramore, H. Newton Maloney, Paul Tournier, Bruce Narramore, John Carter, Harold Ellens, Gary Collins, Frank Minirth, Paul Meier, James Dobson, Vernon Grounds, David Seamands, Robert Schuller, David Benner e Robert McGee.

Mais recentemente, o movimento integracionista entrou em uma terceira fase: a popularização. Em meados dos anos 80, o pensamento integracionista atravessou as fronteiras das instituições educacionais e da psicoterapia profissional. A psicologia popular entrou nas igrejas evangélicas por meio do movimento de recuperação, que popularizou termos como codependentes, adultos infantis, famílias disfuncionais, 12 passos, grupos de apoio e cura de memórias. Com frequência crescente o púlpito, os membros da igreja e as editoras cristãs passaram a falar a mesma linguagem psicológica em suas tentativas de explicar a experiência humana e resolver os problemas da vida.[1]

Percebe-se, portanto, que o Integracionismo, como uma abordagem metodológica para o aconselhamento, emergiu e ganhou espaço em duas dimensões complementares que alcançaram um terreno fértil para um público cada vez mais interessado em respostas humanistas para seus dilemas.

Uma primeira dimensão era o enorme crescimento da psicologia secular cuja orientação teórica e metodológica era nutrida por desenvolvedores de teorias pioneiras e altamente experimentais pelos programas mais conceituadas universidades e patrocinadas pelas instituições de saúde pública, editoras e investidores.

A segunda dimensão estava na aproximação metodológica do trabalho pastoral de aconselhamento e aquilo que era feito nos consultórios de psicologia. Ambos buscavam a “cura da alma”, entretanto, diante de bilionários investimentos financeiros, o campo da psicologia parecia ser mais “profissional” em seus métodos e pesquisas, fazendo dos psiquiatras e psicólogos verdadeiros oráculos sobre a alma humana e seus dilemas. Todos os que queriam aprender sobre aconselhamento, frequentar grupos de conselheiros ou aconselhar se viam tentados a beber dessa fonte.

Como bem afirmou o Pr. David Powlison em MACARTHUR (2016):

A psicologia secular dominava o aconselhamento, definindo o discurso sobre as pessoas e seus problemas. As ciências sociais, comportamentais e médicas conquistaram um enorme poder social, prestígio intelectual e autoconfiança. Os principais psicólogos e psiquiatras eram pessoas seculares que queriam ajudar outras pessoas seculares. Não surpreende, portanto, que eles ofereciam uma religião substituta, pois os problemas com os quais lidavam eram de natureza fundamentalmente religiosa.[2]

Durante algumas décadas do século XX as psicologias continuaram a invadir mais e mais os gabinetes, as salas de aulas dos seminários e as conversas pastorais fortalecendo assim o híbrido disfuncional de aconselhamento terapêutico que apenas passava pela Bíblia, mas usando as lentes da teologia liberal. Nomes como Anton Boisen, Gary Collins, Newton Malony, Wayne Oates, já mencionados anteriormente, foram fundamentais para o crescimento do pensamento integracionista e apenas na década de 1970, com as publicações e pensamentos de Jay Adams, o aconselhamento passou a olhar para a Bíblia e se satisfazer nela. O aconselhamento cristão deixou de ser meramente psicológico e agora passaria a ser Aconselhamento Bíblico fundamentado basicamente na competência bíblica em seus atributos de suficiência, autoridade, inerrância, santidade e infalibilidade.

Esse “novo” modelo de aconselhamento “colocou” a Palavra de Deus para falar à vida e à alma do aconselhando, na certeza de que “a palavra de Deus é viva e eficaz, mais cortante que qualquer espada de dois gumes; penetra até o ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é capaz de perceber os pensamentos e intenções do coração” (Hb 4.12).

A disputa sobre a proficiência das emoções humanas percorreu então, um longo caminho até os dias atuais, a Psicologia de um lado, tentando firmar-se como uma disciplina científica elaborando métodos e abordagens, que na maioria das vezes divergem entre si, e do outro lado, o Aconselhamento Bíblico, não como uma disciplina científica, mas como um ministério efetivo da igreja de Cristo reforçando a suficiência das Escrituras no cuidado integral do homem.

Sobre essa tensão o Dr. Street comenta:

A psicologia é uma disciplina científica? A resposta a essa pergunta é, no melhor dos casos, discutível. Certamente existem aspectos nessa disciplina que cuidadosamente aplicam o raciocínio científico rigoroso. Mas mesmo nesses casos, as pressuposições a priori necessárias para produzir alguma relevância sensata são abertamente evolucionistas. É mais apropriado ver a psicologia como um sistema de pensamento filosófico, disseminado como visão materialista do mundo que se expressa como behaviorismo, humanismo, determinismo, existencialismo, epifenomenalismo e simples utilitarismo pragmático.

O aconselhamento bíblico também não é uma disciplina científica. Nem pretende ser, apesar de confirmar e defender a ciência médica e pesquisa biológica quando aplicadas a problemas verdadeiramente orgânicos. O aconselhamento bíblico reconhece plenamente que sua epistemologia se fundamenta e nasce de uma pressuposição teísta de um Criador que se revelou e “nos deu todas as coisas de que necessitamos para a vida e a piedade, por meio do pleno conhecimento daquele que nos chamou para a sua própria glória e virtude” (2Pe 1.3).[3]

Percebe-se então que a principal diferença e talvez a barreira intransponível entre o aconselhamento bíblico noutético, de um lado, e psicologia e o aconselhamento integracionista, do outro, mesmo que ditos “cristãos” é uma questão de cosmovisão.

J. Adams e o resgate da nouthesia

A partir de J. Adams o Aconselhamento Bíblico começou a ganhar novos contornos que o diferenciavam cada vez mais da perspectiva integracionista. Na realidade, o surgimento do movimento noutético do Aconselhamento causou uma abrupta ruptura de teóricos, métodos e referenciais integracionistas no tratamento das pessoas em seus problemas e dificuldades.

O termo Noutético está relacionado ao aconselhamento como uma abordagem extraída da tradução e aplicação do verbo grego noutheteo e seu correlato substantivado nouthesia. O verbo noutheteo é composto de duas partes: Nous (cuja tradução é mente) e thitemí (colocar dentro, inserir). Portanto, nouthesia pode ser traduzido, conforme suas aplicações neotestamentárias (Cl 3.16; 1Ts 5.12, 14; 1Co 10.11) por dar instruções quanto à fé e a vida correta, colocar na mente de alguém conselhos sobre suas atitudes e as consequências de seus atos, advertir, exortar ou admoestar alguém para o conserto de sua vida usando como parâmetro a Escritura e a revelação de Deus. Aconselhamento bíblico Noutético, portanto, é aconselhar alguém utilizando a Bíblia no intuito de colocar na mente do aconselhado os preceitos bíblicos que direcionarão suas atitudes e indicarão o caminho que ele deve seguir.

Jay Edward Adams (nascido em 1929), convertido ao Senhor em sua adolescência começou seus estudos teológicos no Reformed Episcopal Seminary na década de 1950. Ordenado ao ministério pastoral em 1952, pastoreou várias congregações presbiterianas. Tornou-se mestre em Teologia em 1958 e em 1969 obteve seu título de doutor em oratória na University of Missouri. Durante sua trajetória acadêmica e ministerial o conflito com as abordagens da psicologia o levou a uma inquietação sobre como contribuir biblicamente para ajudar os cristãos em seus problemas.

Após um tempo dedicado a estudar com muito afinco os principais psicólogos do século vinte, as principais obras sobre aconselhamento pastoral publicadas sob a influência de Freud e Rogers e, após concluir dois cursos renomados de aconselhamento pastoral na Temple University, Adams sentiu-se frustrado com o que havia percebido ali. Tudo parecia muito abstrato, distante, teórico e antibíblico.

Em 1963, como professor de pregação e teologia pastoral no Westminster Theological Seminary conheceu o teórico O. Hobart Mowrer e se inscreveu em seu curso sobre A Crise na Psiquiatria e na Religião, que o impulsionou ainda mais para romper com abordagem psicologizada dominante e seguir em defesa das Escrituras e sua suficiência.

Olhando para o problema do estrago do pecado em todas as instâncias da humanidade e acompanhando alguns casos em aconselhamento, Adams concluiu que “o problema é o pecado e a Bíblia tem as respostas” e em 1967, o seu pensamento sobre um aconselhamento que tivesse como base a Bíblia tornou-se um sistema e ele então cria um curso exclusivo para conselheiros bíblicos. Em 1970 ele publicou seu primeiro livro sobre o assunto “O Conselheiro Capaz”. A partir de então Adams e alguns amigos aliados à causa (John Bettler, Wayne Mack e Bob Smith) dedicaram-se exaustivamente a propagar, sistematizar e estruturar o aconselhamento bíblico noutético na igreja e no mundo acadêmico.

A intenção inicial era que a abordagem do Aconselhamento Bíblico Noutético não fosse um movimento privativo e monolítico, mas de amplo respeito às diferentes confissões de fé e das tradições eclesiásticas: reformados, fundamentalistas, evangelicais. Todos eram bem-vindos à esse resgate da ministração das Escrituras àqueles que enfrentavam problemas nas mais diversas áreas e que desejavam ouvir a sabedoria e a orientação de Deus através de sua Palavra.

Aconselhamento noutético – definições e princípios

Mas, o que seria esse Aconselhamento Bíblico Noutético? Quais suas bases e fundamentos e como ele se desenvolve?

Adams basicamente definiu o ministério de aconselhamento bíblico noutético a partir de alguns elementos basilares que serviram de base teórica e prática para o método.

Em primeiro lugar, Deus está no centro de toda mudança permanente no ser humano. Uma correta compreensão de Deus como criador, sustentador em seus atributos e obra demonstram que somente Ele e sua Palavra tem o poder de transformar o homem de forma duradoura e permanente. Sendo Deus aquele que criou o ser humano em um estado de perfeição, Ele e não psicologia tem a capacidade de conhecer profundamente e longe dos efeitos da queda o homem em seus desejos e emoções. Deus como criador conhece sua criação e como juiz e legislador de todas as coisas tem o poder de definir o que é certo e errado, dando assim norte para as atitudes, decisões, reações, emoções e escolhas humanas.

Em segundo lugar, o pecado afetou todas as dimensões da criação desajustando assim tudo o que fora criado. Essa realidade fará com que o olhar principal do conselheiro diante do sofrimento de seu aconselhado não seja limitado pela situação ou por causa de um comportamento/pensamento distorcido, mas sim, a maldição do pecado e seus efeitos sobre o ser humano integral, em seu corpo, mente, desejos e relacionamentos inter-pessoais. O aconselhamento genuinamente bíblico entende que acima das manifestações problemáticas que possam levar o indivíduo ao sofrimento ou a fazer alguém sofrer com suas ações ou reações está o problema do pecado. O real problema do ser humano é o pecado e suas manifestações em sua natureza caída.

Em terceiro lugar, a Bíblia e o Evangelho de Cristo são a verdadeira resposta para mudanças profundas e permanentes no ser humano. Apenas a Escritura Sagrada apresentará clara e consistentemente a origem de todos os problemas e conflitos que ocorrem no mundo. Longe de colocar sobre as circunstâncias ou dificuldades situacionais a causa dos problemas, a Bíblia afirma que a fonte de todo conflito está no coração do homem e na sua fábrica particular de ídolos e desejos. A santa Palavra de Deus, portanto, aprofunda-se no tratamento do problema humano confrontando-o diretamente na raiz do problema – o coração. Na obra salvadora e redentora de Cristo ele proporciona a mais completa resposta ao problema humano: a cruz do Calvário redime o pecador e dá a ele um “novo coração”. Alcançar esse nível profundo de compreensão do problema e apresentar os efeitos da obra de Cristo sobre a culpa, engano, egoísmo, ódio, escravidão em todos os níveis e outros males que permeiam a humanidade deve ser o alvo do aconselhamento bíblico noutético.

E por fim, a igreja através do ministério de aconselhamento é o lugar onde a mudança é oferecida. Diferente de um compromisso estritamente profissional motivado por questões financeiras, o aconselhamento bíblico noutético se dá no ambiente onde a Escritura é o centro orientador de todas as decisões e ações existenciais – a igreja. É no ambiente eclesiástico onde a fraternidade impulsiona aqueles que são mais maduros na fé a cuidarem e orientarem dos menos maduros. Diferente de um compromisso meramente monetário, na igreja a ajuda vem pelo desejo de ver o crescimento espiritual daqueles que fazem parte da família de fé. Em Gl 6.1 o apóstolo Paulo traz essa orientação sobre o ambiente e a forma como o aconselhamento bíblico deve acontecer na igreja. Por se tratar de um ministério da igreja local, o aconselhamento bíblico noutético oferece um olhar fraterno e cheio de amor cristão para aquele que está enfrentando problemas fazendo uso de uma abordagem centrada em Deus e sua Palavra.

Uma vez apresentados os fundamentos que incentivaram Adams a estruturar tal modalidade ministerial faz-se necessário defini-lo com mais detalhes.

O pastor Jonh Piper, contribuindo com o tema, assim define o Aconselhamento Bíblico Noutético, reforçando os pressupostos de Adams da seguinte maneira:

Aconselhamento bíblico é o uso da linguagem centrada em Deus, saturada na Bíblia e sintonizada com o emocional para ajudar as pessoas a se tornarem devotadas a Deus, exaltadoras de Cristo e que, alegremente abnegadas, amam outras pessoas.[4]

Piper apresenta uma importante característica do Aconselhamento Bíblico: sua centralidade em Deus e o compromisso em amor de usar sua Palavra como instrumento de mudança. Usando a pessoa de Deus como referência para toda proposta de conserto e “bem-estar” e a necessidade de prestação de contas diante daquele que criou todas as coisas o conselheiro caminhará em direção ao cerne de todo o problema que atinge o aconselhado indo além das questões situacionais, chegando na fonte das motivações (Pv.4.23).

Outra importante definição é a que afirma que “o aconselhamento bíblico noutético é uma comunicação bíblica inabalavelmente ancorada na autoridade da Bíblia.”[5] E que também pode ser definido como:

A totalidade do conselho de Deus oferecida de maneira sistemática, compreensível, relevante e amorosa. A totalidade do conselho de Deus – cada parte, completamente compreensível e sem contradição, totalmente distinta e pronta para encaixar em qualquer um de múltiplos cenários – verdade absoluta e amor interminável condensados em palavras, frases, pausas, perguntas e respostas.[6]

Desta forma, observa-se que o que torna o aconselhamento genuinamente bíblico é estar comprometido com aquilo que a Escritura diz, tendo Deus como fonte, caminho e destino para a solução do assunto tratado, transmitindo o conselho divino àqueles que são guiados por essa Palavra de forma direta, clara e transformadora. Não é feito apenas citando porções de textos bíblicos que se adaptam à situação do aconselhado como uma receita pronta, mas levando o aconselhado à compreensão profunda e verdadeira da Escritura para que ele possa colocá-la em prática em seu cotidiano. Portanto, é um processo que demanda estudo, paciência, dedicação e envolvimento discipulativo-pastoral.

O doutor Wayne Mack definindo aconselhamento bíblico na obra intitulada Nada além das Escrituras (2018) contribui:

Qualquer aconselhamento digno do nome “cristão” deve ser propositada e exaustivamente cristocêntrico – um aconselhamento que destaca quem e o que Cristo é, e o que Ele fez por nós em Sua vida, morte e ressurreição. O aconselhamento cristão enfatiza o que Cristo está fazendo por nós hoje, com Sua intercessão por nós à direita do Pai e o que Ele fará por nós no futuro. Também enfatiza o ministério atual do Espírito Santo na vida do crente. [7]

Observa-se, a partir do comentário do dr. Mack que o método utilizado pelo conselheiro bíblico no ato de aconselhar alguém em sofrimento é apresentar a obra de Cristo, seus efeitos e benefícios eternos, assim como a responsabilidade humana de agir em resposta a esse sacrifício. É uma tarefa de levar ao aconselhado todo o cuidado divino ofertado na cruz e também o compromisso de viver aos moldes da nova vida conquistada por Cristo para seus eleitos.  Uma das grandes marcas do aconselhamento bíblico noutético é que nele, através da Bíblia, o conselheiro apresenta Cristo e sua glória.

Ainda nas palavras do dr. Mack:

A solução das dificuldades relacionadas ao pecado pessoal requer que a pessoa seja redimida e justificada por meio de Cristo, que receba o perdão de Deus por meio de Cristo e que obtenha de Cristo a capacitação para substituir os padrões de vida não cristãos (pecaminosos) por padrões de vida cristãos (piedosos).[8]

Considerações finais

O que pôde ser compreendido até aqui é que o aconselhamento noutético tem um compromisso epistemológico com a obra de Cristo e seus efeitos e benefícios para aqueles que foram beneficiados com tal ato salvífico. Portanto, é inerente ao método noutético a figura de Cristo e o que é exigido do aconselhado em mudança de sua cosmovisão no trato das coisas cotidianas. Aconselhamento bíblico noutético, portanto, tem a vem com uma límpida e bíblica cosmovisão. Outro ponto importante a ser destacado nas palavras do dr. Mack é que no aconselhamento noutético existe uma participação do aconselhado em resposta àquilo que fora apresentado pelas Escritura. Se, conforme ele afirma, o problema só pode ser plenamente resolvido pela via da compreensão e observação dos preceitos bíblicos, é imprescindível que o aconselhado reconheça seu problema (e o(s) pecado(s)) que o colocaram nessa situação e tome uma atitude de mudança substitutiva para um novo padrão que agrade a Deus e viva de acordo com a sua Palavra. Nesse tipo de aconselhamento, tanto conselheiro e aconselhado são responsáveis pelo progresso e êxito do acompanhamento. Este dedicando-se e dependendo exclusivamente do Espírito Santo para ajudá-lo no processo, aquele sendo um instrumento nas mãos de Deus para cuidar de alguém em sofrimento. E isso responde a uma pergunta muito comum: Como aconselhar aqueles que não professam a fé em Cristo ou foram regeneradas em nova vida? A resposta direta é que para esses casos, o conselheiro deve ter como foco o evangelismo e a sensibilidade de apresentar ao aconselhado a real profundidade de seus problemas, que estão acima dos situacionais, pois se originam em sua relação com Deus e sua Lei.

Importante ainda ressaltar, sobre a modalidade do aconselhamento bíblico para crentes ou descrentes e seu foco em uma mudança centrada em Cristo e sua Palavra, as palavras de BABLER (2016):

O conselheiro bíblico deve avaliar a situação a partir da perspectiva do Reino de Deus. O evangelho de Cristo deve ser a prioridade máxima na vida do aconselhado, porque qualquer tentativa de solução que desconsidere o evangelho redentor minimizará o problema, ensinará a justiça própria e apaziguará a culpa, o que endurecerá ainda mais o coração, obscurecendo a compreensão. Sem o novo nascimento pelo Espírito, uma pessoa é incapaz de se tornar boa com relação a Deus.[9]

Com o intuito de promover tamanha mudança é necessário que o conselheiro bíblico saiba onde quer chegar no tratamento dos problemas que o aconselhado pode apresentar.

A Bíblia apresenta em textos específicos uma forma eficaz de chegar à raiz do problema e aplicar uma mudança permanente. Em outras palavras, a Bíblia indica que o conselho eficaz que gera alguma transformação deve almejar muito mais do que mudança ou controle de comportamento, mas deve chegar no coração e a partir daí aplicar o princípio do despojar/renovar/revestir para que haja, de fato, mudança, concerto e transformação genuína.

A Bíblia tem todas as respostas. Somos instrumentos nas mãos do redentor para apresentar a este mundo como o conselho de Deus trata o homem em seus mais profundos e doloroso problemas.

[1] HINDSON, Ed & EYRICH, Howard. Nada além das Escrituras: o Aconselhamento e a Palavra de Deus. São Paulo: NUTRA Publicações, 2018. p.96-98.
[2] POWLISON, David. Aconselhamento Bíblico em tempos recentes. In: MAcARTHUR, John. (Org.) Introdução ao Aconselhamento Bíblico: um guia de princípios e práticas para líderes, pastores e conselheiros. Rio de Janeiro: Thomas Nelson Brasil, 2016.p.37.
[3] MAcARTHUR, 2016.p.56.
[4] PIPER, John. A glória de Deus: o alvo do aconselhamento bíblico. In: MacDONALD, James (Org.). Aconselhamento bíblico cristocêntrico. São Paulo: Batista Regular do Brasil, 2016. p.30.
[5] CLUTTERHAM, Joshua. Entendendo o Aconselhamento Bíblico. In: STREET, John D. (Org.). Homens aconselhando homens: uma abordagem bíblica das principais questões que os homens enfrentam. São Paulo: NUTRA Publicações, 2014. p.28-29.
[6] Ibid. p.34.
[7] MACK, Wayne. O que é Aconselhamento bíblico? In: HINDSON, Ed & EYRICH, Howard. (Orgs.) Nada além das Escrituras: o Aconselhamento e a Palavra de Deus. São Paulo: NUTRA Publicações, 2018. p.41.
[8] Ibid.p.41.
[9] BABLER & ELLEN, 2018. p. 92.P

Pr. Madson Costa Oliveira

Pastor da Igreja Cristã Evangélica no Cohatrac. Especialista em Teologia Bíblica pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Mestre em Ministério com ênfase em Aconselhamento Bíblico pelo SCEN. Doutorando em Ministério Pastoral pelo Centro Presbiteriano de Pós-Graduação Andrew Jumper. Casado com Meriellie Brandão, pai de Alice e Théo.

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AICEB NO SÉCULO XXI
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AICEB NO SÉCULO XXI
E que ouvimos e aprendemos, o que nos contaram nossos pais, não o encobriremos a seus filhos; contaremos à vindoura geração os louvores do Senhor, e o seu poder, e as maravilhas que fez.  (Salmos 78: 3-4)

A história secular da Igreja Cristã Evangélica é constituída de diferentes períodos nos quais foram se sucedendo variados acontecimentos que   construíram as molduras da saga vitoriosa desta importante denominação hoje presente na maioria dos estados da federação Brasileira.

Atualmente, existindo  num contexto bem diferente dos seus primeiros anos, a AICEB, como todas as instituições sejam elas religiosas ou não, busca  ser fiel as suas origens e razões fundantes,  ao tempo que deseja  permanecer relevante aos seus membros e a sociedade brasileira, isto num cenário marcado pelo avanço da tecnologia e dos modelos de gestão, o que requer uma atenção às reclamações que o limiar deste terceiro milênio exige.

Diante deste quadro, é natural que surjam perguntas e preocupações a respeito do modo como nossa denominação deve se portar no tempo que se chama hoje, qual seu papel e seu compromisso com os conturbados tempos hodiernos.  Sem mitigar qualquer de nossas: crenças  princípios ou mesmo recortar algum dos nossos diferentes períodos históricos, é inegável   que as oportunidades dos dias em que vivemos nos convocam para avançar em  frentes que ainda não nos lançamos, se mostra urgente a constatação que: se negarmos o apelo do momento poderemos estar  sendo desonestos  com nossa rica  e empolgante história  construída por mais de  uma centena de anos. 

Ao ler livros como: As nossas raízes, do grande pastor Aboral Fernandes da Silva ,  Fazendo progresso do missionário Perin Smith  e mais o livro de memórias da missionária Eva Mills, em todos estes documentos constatamos que em tempos pretéritos ,  a AICEB sempre esteve em sintonia com as necessidades e soluções do seu tempo , e por vezes até mesmo à frente dele. A  Aliança não se furtava ao trabalho e sempre buscava sarar as feridas dos seus contemporâneos com um antigo e eficaz remédio: a pregação do evangelho de Jesus Cristo Nosso Fundamento. Este objetivo, para nosso bem, em vários instantes ofuscou as diferenças secundarias presentes nos campos doutrinários e mesmo políticos, que constituíam sua membresia, e as figuras mais proeminentes de sua liderança.

É certo que precisamos tonificar esta marca nas páginas de nossa geração, este caractere não pode desbotar, ainda que os tempos sejam outros.

Reconhecida por sua valorização   à formação teológica, possuindo um seminário com mais de oitenta anos, nossa igreja precisa guardar esta postura, mesmo que o pragmatismo e outros fatores a ela se oponha.  Ter nos seus quadros pastores piedosos e com um bom conhecimento bíblico e teológico foi e sempre será fundamental para que a AICEB se mantenha distante das heresias e do personalismo que tanto enodoa a história de outras denominações.

Para continuar sua jornada, a AICEB deve seguir em frente, otimizando sua atuação de forma mais homogênea e dedicando cuidado a pontos ainda incipientes cujo potencial se mostra latente.

A área da comunicação que se manteve  servido com amor pela nossa histórica eficiente revista Ebenézer,  carece lançar as redes mais ao longe mirando uma comunicação digital mais robusta, cujo campo tem muito a  ser explorado,  a revolução digital ainda está para ocorrer na nossa denominação, nossas ações de mídia ainda são poucas  e  carentes de articulação, por isso fazer uso  profissional das ferramentas digitais produzirá bons frutos , alcançando mais pessoas , conectando igrejas , obreiros e toda plêiade  aicebianos no Brasil e no mundo.

A tecnologia que dispomos nos permite construir um aparato administrativo melhor e um censo organizacional mais qualificando a fim de gerar um banco de dados que descreva mais claramente nossas igrejas, obreiros e membros, possibilitando uma atuação mais eficiente da gestão denominacional que somada ao exemplo dos que andaram no passado nos fará andar ainda mais rápido.

Ao nos dedicar a uma reflexão nestes termos não esquecemos que existam ações positivas em curso na AICEB, neste exercício o que se pretende é apontar itens que nem sempre são objetos de nossa reflexão.

Assim, oramos para que as ferramentas da modernidade nos possibilitem continuar servindo ao Senhor da seara com a mesma fé e coragem dos nossos antepassados. Que nossa geração cumpra o seu papel dentro do projeto que Deus está executando no Brasil e no mundo por meio da Aliança das Igrejas Cristãs Evangélicas até o Dia de Cristo Jesus.

Pr. Metusalém Dias dos Santos

Pastor da Igreja Cristã Evangélica em Zona Leste, Teresina – PI. Bacharel em Teologia pelo Seminário Teológico do Nordeste em Teresina Piauí (STNe). Bacharel em Direito pela Universidade Estadual do Piauí (UESPI), Advogado inscrito na OAB/PI. Treinado em Liderança Avançada do Instituto Haggai. É professor concursado do estado do Piauí. Casado com Djane, pai de Milka e Maressa.

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CADETES A JATO: PRONTOS A DECOLAR
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PRONTOS A DECOLAR: BREVE HISTÓRIA DOS CADETES A JATO

Os que confiam no SENHOR, renovam as suas forças. Voam alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam. (Isaías 40:31).

O Programa de Cadetes a Jato foi lançado em 1972 e se destina a ministrar para adolescentes nas igrejas da MICEB e da AICEB. O trabalho tem muita aceitação e envolve atividades semanais nas quais os adolescentes de onze a quinze anos de idade memorizam as Escrituras, participam de projetos e ganham patentes pelo seu desempenho no cumprimento de tarefas, e ainda, o Programa inclui acampamento durante o período de férias para aqueles que se qualificam.

O Programa Cadetes a Jato foi inicialmente planejado pela missionária Joan Hunsberger pertencente a Missão Cristã Evangélica do Brasil – MICEB, após ouvir os anseios, e o pedido da Diretoria Geral da AICEB da época, para que ajudasse a desenvolver o departamento de adolescentes, até que um casal brasileiro pudesse assumir a liderança.

A missionária Jean Samuel (Jine) chegou em São Luis/MA para trabalhar junto com D. Jóia, em fevereiro de 1973 depois de trabalhar 10 anos em Belém no Pará com a MICEB.  Ela sentiu que Deus a queria em um outro ministério. Ao ouvir de Cadetes a Jato, ela conversou com Jóia e resolveram trabalhar juntas. A primeira viagem com essa finalidade foi a Brasília/DF onde formaram os grupos nas ICEs de Ceilândia, Gama e Taguatinga. Na volta foram até Açailândia, no Maranhão. E assim a organização de Cadetes a Jato foi crescendo.
O primeiro acampamento foi realizado em Barra do Corda/MA em julho de 1977, com 99 cadetes, sendo 33 rapazes, e 66 moças e 12 líderes de 10 igrejas.

Os acampamentos são um meio que Deus usa para desafiar os adolescentes.

Transição para o Departamento Nacional de Adolescentes

No início dos anos 2.000, as missionárias Jóia e Jine, aposentaram-se, deixando  155 grupos de Cadetes alcançando 2500 adolescentes. Então o Programa, passou a ser conduzido por uma equipe orientada pelo Departamento Nacional de Adolescentes da AICEB.

Mais da metade do sustento para o desenvolvimento das atividades dos Cadetes a Jato, é oriundo das igrejas; e um casal de jovens trabalha em tempo parcial ajudando com o treinamento de líderes nas igrejas locais, e assim o trabalho continua prosperando.

Durante muitos anos, estas servas serviram no Brasil como missionárias, exerceram o seu ministério especialmente no Departamento de Adolescentes onde empenharam suas vidas com amor e dedicação, até que  voltaram ao seu país de origem para descansarem. A estas dedicadas mulheres que ofereceram a sua juventude para a obra de Deus em uma terra estranha, nós queremos dizer com imensa gratidão: Deus as recompense. A nossa oração é que onde quer que estejam, suas vidas continuem a ser bênçãos na edificação de vidas! As palavras não traduzem a imensidão da nossa gratidão por todo amor expressado neste longo período que deixou uma saudade enorme! Para vocês, obrigado pelo amor, a fé e a dedicação demonstrada em seu ministério aqui no Brasil.

Dia 16 de outubro de 2018, faleceu a Sra. Joan Hunsberger (Irmã Jóia), a missionária da Missão Cristã Evangélica do Brasil – MICEB e professora do SCEN por 11 anos, foi chamada pelo Senhor para a Glória. Mas deixou o legado rumo a expansão do Reino, salvando muitas almas para o Senhor. Deixou um exemplo de fidelidade, abnegação e amor à obra de Deus e ao Evangelho. Cumpriu a carreira, guardou a fé.

Fonte: Recortes de História, Revista Ebenézer – ano 40 – janeiro a março de 2018.

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