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 NOSSAS RAÍZES

“… Deus escolheu as coisas fracas do Mundo para envergonhar as fortes;  e Deus escolheu as coisas humildes do Mundo, e as desprezadas, e aquelas que não são, para reduzir a nada as que são; a fim de que ninguém se vanglorie na presença de Deus” 
(1 Coríntios 1:28, 29).

Há mais de um século (1893) chegou à Barra do Corda no Maranhão, o primeiro crente e pregador João Batista Pinheiro, cearense de Icó; converteu-se em Recife e após seis meses de conversão, empreendeu a longa viagem que o fez retornar ao seio da família e parentes, todos migrantes da seca (dizem ter sido uma das maiores do nordeste na década de 70 do ano de 1800) e recém chegados naquela cidade do sertão maranhense.

Deficiente físico, João Batista, perdeu suas pernas que lhe foram amputadas, pela infecção causada pela peste bubônica, transmitida por ratos. A infecção sofrida fez com que os médicos lhe amputassem uma perna no Ceará e a outra em São Luís do Maranhão.

Tornou-se mendigo e para tirar suas esmolas chegou à capital de Pernambuco, onde depois de alguns dias foi alcançado pela graça de Deus pelo ministério da Igreja Presbiteriana naqueles passados tempos.

Chegando à Barra do Corda, mesmo aleijado “ele cumpria fielmente sua nobre missão de evangelizar os parentes e vizinhos”. Foi perseguido vorazmente pelos inimigos da fé evangélica e por duas vezes quase o mataram não fora a providência graciosa do seu Senhor. Abrigado nos braços divinos foi morar mais tarde a 36 quilômetros da cidade, onde sua parentela e outros formaram um povoado ao redor de uma lagoa. João Batista era o evangelista incansável que lhes transmitia o evangelho, naquela vila, nascedouro da primeira congregação que se abrigava num pequeno templo coberto de palhas de babaçu e chão batido. Ali foi lançada a pequena semente que germinou e se transformou na árvore denominacional, conhecida hoje como Aliança das Igrejas Cristãs Evangélicas do Brasil.

Na sua velhice o primeiro homem da nossa história, cego e doente orava a Deus que enviasse um substituto para aquela congregação de crentes, localizada naquelas terras férteis e produtivas, chamadas de Centro dos Protestantes. As famílias Pinheiro, Barros, Felipe, Oliveira, Gomes, Silva e mais tarde Leite ali se instalaram com muitos dos seus membros os quais prosperaram na vida espiritual e na vida material, esta na lavoura e na pecuária.

Nos dias de Festa e Ano Novo os irmãos celebravam naquele povoado sua maior confraternização nos cultos de adoração, louvor e pregações. João Batista era seu pregador e líder espiritual por muitos anos. Pessoas dos arredores e dos municípios vizinhos compareciam àqueles eventos e muitos eram alcançados para Jesus naqueles dias primeiros de nossas raízes.

Em atendimento às orações de João Batista Pinheiro, o Senhor Deus mandou do Canadá o primeiro missionário da nossa enorme galeria de pioneiros: Perrin Smith.

Chegado ao Brasil, mais precisamente à Grajaú em 1905, jovem solteiro, casou-se com uma brasileira, Ana Tavares Bastos e realizou desde a sua chegada um maravilhoso trabalho na cidade, interior e sul do Maranhão, evangelizando e ganhando vidas para o Reino de Deus, além de organizar a primeira congregação em Grajaú.

O fato que associou Perrin Smith à congregação de Centro dos Protestantes ocorreu em 1912, quando viajou com a família ao Canadá. Para viajar a São Luís era necessário embarcar em Barra do Corda, pelo rio Mearim. Ao chegar naquela cidade foi informado que a 36 quilômetros havia a congregação fundada por João Batista Pinheiro e foi conhecê-la. Quando foi apresentado ao velho pregador, este agradeceu a Deus por ter mandado o homem que ajudaria os irmãos, em seu lugar.

Foi assim que em 1914 ao voltar do Canadá mudou “seu centro de atividade missionária para Barra do Corda”. Para se manter, aquele homem de Deus “cultivava a terra e criava algumas cabeças de gado”, numa pequena propriedade que ele comprou próxima à cidade. Dirigia a primeira congregação ali, além de dar apoio à congregação do interior, e ainda fazia viagens, muitas vezes com sua família e uma comitiva de jovens crentes naqueles dias áureos de avanço da obra. 

Outros missionários chegaram ao Brasil e o centro maior de suas atividades foi Barra do Corda onde havia o Instituto Bíblico do Maranhão fundado em 1936 pelo Rev. Jorge Thomas. Obreiros nacionais, formados naquela casa e obreiros estrangeiros deram-se as mãos e os corações no trabalho que ia crescendo como uma árvore viçosa a qual serve de abrigo às aves do céu. Em 17 de julho de 1947, numa convenção de obreiros e igrejas foi organizada na cidade de Barra do Corda, Maranhão, a Aliança das Igrejas Cristãs Evangélicas do Norte do Brasil.

Pr. Enoque Vieira de Santana

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